A necessidade de passar mais tempo no ambiente doméstico, por conta da pandemia, contribuiu para dar novo impulso a uma tendência que já vinha sendo percebida por arquitetos, decoradores e empresas que se relacionam com o universo do chamado home decor: as casas dos brasileiros estão mais coloridas.

“Com a pandemia, a casa teve reforçado o papel de refúgio contra os perigos do mundo”, diz Felicitas Piñeiro, argentina radicada no Brasil e fundadora da consultoria Cores Lovers – cuja missão é “libertar o uso da cor com confiança e propósito”.

Felicitas lembra que as cores contribuem também para compensar parte dos estímulos visuais que as pessoas perderam ao reduzir a frequência das saídas. Ela exemplifica com uma situação pessoal. “Já faz muito tempo que o piso do banheiro da minha casa é amarelo, mas esse detalhe ganhou importância renovada durante a quarentena.”

Tecnologia ajuda

Certamente não há mais justificativa para manter as tradicionais paredes brancas ou beges. A indústria tem contribuído com tintas mais simples de usar, que podem ser espalhadas com mais facilidade e causam menos sujeira.

Essas características exigem menos investimento, principalmente porque deixou de ser necessário contratar profissionais especializados para a execução de pequenas tarefas. Hoje, pessoas sem experiência em pintura conseguem renovar as cores de casa sem grandes dificuldades.

O risco de escolher mal as combinações vem sendo reduzido pela tecnologia. As principais fabricantes de tintas oferecem aplicativos que permitem avaliar como o cômodo ficaria com as novas cores imaginadas. Alguns simuladores trazem outros recursos úteis, a exemplo da possibilidade de fotografar um ambiente qualquer e descobrir o nome da tinta que está na parede.

Nada é proibido

Para quem busca informações e referências, há inúmeras boas fontes na internet. O site da Pantone (www.pantone.com.br), principal referência global em tons, tendências e apostas, é um belo manancial de conhecimentos na área.

A inspiração também pode vir de filmes e séries, que envolvem estudos cuidadosos da paleta de cores, aspecto essencial para ajudar a criar o clima da história e definir características de personagens.

Felicitas diz que não há regras pré-estabelecidas para definir as cores de um ambiente. Mesmo porque deve-se levar em conta, acima de tudo, as expectativas e o momento de vida das pessoas que moram na casa. O estilo e as cores dos móveis e dos quadros já existentes também são dados importantes.

Questão de bom senso

As cores têm um papel diretamente relacionado às emoções e contribuem para reforçar sensações e conceitos: aconchego, alegria, tradição, contemporaneidade, maturidade, jovialidade, sofisticação, praticidade.

Assim, por exemplo, as cores de um home office devem ser definidas a partir do perfil da atividade profissional, pois podem contribuir tanto para a concentração quanto para a criatividade. As cores são estratégicas, também, para reverter problemas do ambiente: um lugar escuro pode ganhar luminosidade e um espaço pequeno pode “crescer”.

Conhecimentos básicos da teoria das cores são bem-vindos, mas a questão acaba sendo muito mais de bom senso. Um exemplo: Felicitas foi recentemente contratada por uma mãe que queria que as paredes do quarto do filho de quatro anos fossem pintadas de vermelho, a pedido dele.

“Eu argumentei que pintar tudo de vermelho possivelmente causaria prejuízo ao sono do menino e o deixaria agitado. Chegamos então a uma solução em que a metade de duas paredes ganhou um tom suave de vermelho”, ela descreve.

Mais cor, por favor

Além da pintura nas paredes, há várias outras possibilidades de mudanças relacionadas às cores da sua casa. Confira algumas delas:

Revestimentos na parede

Uma opção para os tradicionais papeis de parede é a fibra de vidro, que seguem a lógica de oferecer diversos padrões de estampas, mais clássicas ou mais modernas, para mudar o astral de um ambiente.

A fibra de vidro proporciona uma série de vantagens: é um material mais resistente a impactos, resistente ao fogo, que não mancha nem desbota com o passar do tempo, lavável sem acumular umidade e preparado para evitar o surgimento de fungos e bactérias.

Isolamento acústico colorido

Colocar mais cor em casa é um processo que pode ser associado a outros tipos de melhoria. Quem está incomodado com o barulho, por exemplo, pode instalar placas de isolamento acústico que, hoje em dia, são vendidas em diversas cores. É a materialização da célebre sentença “unir o útil ao agradável”.

Envelopamento da geladeira

A ideia de colocar adesivos coloridos sobre um objeto pode ser aplicada a vários móveis e eletrodomésticos, mas tornou-se mais comum para a geladeira. Trata-se de uma forma eficaz de mudar o clima da cozinha como um todo.

É possível encontrar centenas de opções de estampas. Desde aquelas completamente lisas, de uma mesma cor, até modelos que reproduzem quadros famosos, citam personagens de quadrinhos ou fazem referência a marcas de alimentos ou bebidas. Aqui, mais do que nunca, o bom gosto deve ser um parâmetro a ser respeitado.

Pintar o teto: por que não?

Um dos muitos mitos que já foram superados é o das “portas e tetos brancos”. As portas podem ganhar cor, sim, e até mesmo o teto – desde que haja o cuidado de escolher uma cor mais clara que a das paredes, para dar a sensação de amplitude.

“Isso é especialmente importante no Brasil, onde o teto costuma ser baixo. Uma cor mais escura do que a das paredes reforça a sensação de claustrofobia”, diz Felicitas.

Renovação dos rejuntes

Argamassas e rejuntes coloridos podem dar um “up” em azulejos ou porcelanatos, já que o tradicional branco usado nesses locais tende a ficar carunchado com o tempo. São dezenas de opções de cores, com fácil instalação para quem pretende apenas cobrir o rejunte antigo.

Spray nos móveis

É um tipo de pintura rápido e simples para renovar um móvel. Uma cadeira ou uma escrivaninha ganham nova personalidade com uma cor bem contemporânea – que pode até ser fluorescente.

Mais vida para tapetes, cortinas e sofás

Esses elementos contribuem fortemente para definir o ânimo geral da casa. A maior parte dos sofás ainda são cinzas ou marrons, por exemplo, mas cores como azul-marinho, verde-esmeralda e mostarda podem cair muito bem.

Flores, um sopro de vida

Ter sempre flores em casa é uma forma de trazer frescor e colorido ao ambiente doméstico. “As flores são uma boa metáfora para a vida. Quando as coisas estão perdendo o viço e a cor, é preciso que sejam renovadas”, diz Felicitas, cuja mãe é florista na Argentina – origem da paixão da filha por cores.

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