Depois de ajudar a impulsionar um aumento notável nas listas de empregos no Japão –em face de uma população em declínio– as mulheres se tornaram as mais atingidas na recessão causada pela covid-19 no país.

Essa é uma das conclusões de um estudo sobre os danos à renda e ao poder de compra em diferentes segmentos do mercado de trabalho japonês, conduzido por economistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e da Universidade de Tóquio.

Os economistas computaram uma “variação equivalente ao consumo”, um indicador do impacto no consumo e na renda observados na crise.

Em média, a perda de bem-estar para os homens foi equivalente a apenas 1,1% dos ganhos, enquanto as mulheres tiveram uma queda de 3,4%. Os piores resultados foram para mulheres em empregos irregulares, presenciais e com horário rígido, com uma perda equivalente a 9,75% dos ganhos, segundo o estudo.

“As trabalhadoras se saem pior que os homens e os efeitos negativos sobre o bem-estar para elas são três vezes maiores que os dos trabalhadores do sexo masculino”, escreveu Shinnosuke Kikuchi, do MIT, e Sagiri Kitao e Minamo Mikoshiba, da Universidade de Tóquio, em um estudo de 20 de julho.

Empregos irregulares

Os empregos irregulares estão altamente correlacionados com a maior perda de bem-estar. Como mais de 50% das trabalhadoras são empregadas dessa maneira, elas foram impactadas desproporcionalmente pela crise econômica, disseram os economistas.

Para piorar a situação, 69% das trabalhadoras estão ocupando os cargos que foram severamente afetados, como em varejistas, restaurantes e hotéis, em comparação com 39% dos trabalhadores do sexo masculino.

As mulheres haviam liderado um aumento nas taxas de emprego desde que o primeiro-ministro Shinzo Abe defendeu uma iniciativa para aumentar o papel das mulheres na força de trabalho da terceira maior economia do mundo, depois de assumir o cargo em dezembro de 2012. O progresso em garantir mais posições de liderança para elas também permanece fora do alcance.

Ainda assim, muitos dos novos empregos surgiram na forma de posições não regulares ou de contato com o público, que as deixaram mais vulneráveis à queda da atividade econômica provocada pelo coronavírus.

Os últimos números do mercado de trabalho em junho, divulgados na sexta-feira, continuaram mostrando que as mulheres em empregos não regulares foram mais afetadas que os homens. Eles representavam 59% dos 1 milhão de empregos que desapareceram nessa categoria em relação ao ano anterior.

Há “incerteza significativa sobre se vários choques que observamos agora terão vida curta ou longa e se serão repetidos várias vezes nos próximos anos”, escreveram os pesquisadores do MIT e da Universidade de Tóquio.

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