A pandemia de covid-19 obrigou muita gente a adaptar a rotina às pressas, o que incluiu a necessidade de transferir atividades do presencial para o virtual.

Em alguns casos, os novos hábitos mostraram aspectos vantajosos e têm tudo para se tornarem definitivos no pós-pandemia.

1. Reuniões de trabalho

As videoconferências se tornaram ótima opção para resolver com mais agilidade questões pontuais, do dia a dia. Uma das grandes vantagens é que os encontros online se revelaram menos propensos a devaneios e fugas de pauta.

“A pessoa que detém a palavra tende a ser mais respeitada, pois os atropelos que costumam acontecer nas reuniões presenciais truncariam demais o diálogo online”, lembra a consultora de conteúdo Etiene Rocha.

2. Encontros de networking

Antes da pandemia, quando você queria se aproximar de alguém com quem tinha afinidades profissionais ou pretendia trocar ideias, o caminho natural era escrever perguntando: “vamos tomar um café qualquer hora dessas?”

E aí começava a via-crúcis para conciliar agendas – tarefa que, muitas vezes, acabava por sepultar a ideia. Nas ocasiões em que a conversa acontecia, o tempo gasto com o deslocamento era frequentemente superior ao do encontro propriamente dito.

Com a pandemia, muita gente percebeu que conversas desse tipo podem muito bem ser realizadas à distância, com facilidade e objetividade.

3. Coaching

Processos de coaching e outros semelhantes, como mentoria e aconselhamento, costumam envolver uma série de encontros. A prática mais disseminada era que a maior parte desses encontros fossem realizados presencialmente. Agora a tendência tende a ser a inversa: por que não fazer a maioria dos encontros online e deixar as conversas presenciais como exceções?

Durante a pandemia, a startup Elas, focada no desenvolvimento pessoal e profissional de mulheres, transferiu para o virtual as suas mentorias, workshops, palestras e cursos. Com isso, precisou de apenas três meses para alcançar a marca de 7.000 mulheres impactadas, mesmo patamar que havia acumulado ao longo dos dois primeiros anos de funcionamento exclusivamente presencial.

“Nossos eventos, quando eram presenciais, envolviam muita sensibilidade, porque as mulheres estavam contando umas às outras experiências delicadas que aconteceram com elas”, lembra Carine Roos, cofundadora da escola. “Trazer essa troca valiosa para o online foi uma tarefa difícil, mas o retorno que temos recebido é de que conseguimos manter a essência humana.”

4. Consultas médicas

Por força da necessidade de distanciamento social, a telemedicina ganhou respaldo legal e muitos adeptos durante a pandemia. Para situações mais corriqueiras, certamente é uma alternativa bem melhor do que tentar tirar as dúvidas por conta própria na internet, como muita gente fazia para evitar uma ida ao médico.

Multiplicaram-se startups como o BoaConsulta, aplicativo que conecta médicos e pacientes, com mais de 1,5 milhão de pacientes e 38 mil médicos já cadastrados, e o Dandelin, que funciona com o pagamento de uma mensalidade de R$ 100 para ter acesso livre a 900 médicos cadastrados, de 61 especialidades.

5. Terapia

O atendimento psicológico online já está regulamentado há alguns anos, mas muita gente só descobriu isso durante a pandemia. O isolamento social levou aos divãs virtuais uma legião de pessoas interessadas em iniciar ou continuar um processo terapêutico.

Para muitos profissionais da área, a alternativa se tornou uma questão de sobrevivência. O Conselho Federal de Psicologia vem registrando, a cada semana, centenas de pedidos de autorização para o trabalho virtual.

A Vittude, plataforma que conecta pacientes a psicólogos, criada em 2016, já soma mais de 110 mil usuários e 5,5 mil profissionais cadastrados. Desde o início da pandemia, o número de pacientes subiu 400%, o de psicólogos cadastrados 32,5% e o agendamento de consultas cresceu 230%. O impulso se deu em grande parte pela adesão de 30 novas empresas ao produto corporativo, incluindo SAP, Grupo Boticário e Raia Drogasil.

O processo de escolha do profissional, de agendamento e de realização das sessões é inteiramente feito online. “Há uma série de filtros que ajudam na escolha da principal demanda, especialidade, abordagem terapêutica, faixa de preços, gênero do profissional e avaliações dos profissionais”, descreve a CEO da Vittude, Tatiana Pimenta.

6. Meditação

A meditação ganhou adeptos interessados em acalmar mente e coração durante a pandemia. Muitas empresas participaram desse movimento ao incentivar a adesão por parte dos funcionários. A consultoria EY, por exemplo, organizou sessões de mindfulness à distância.

A gerente de consultoria em Mobilidade Internacional, Carolina Emília, moradora de Curitiba, é uma das participantes do projeto da EY. “Meditar ajuda muito a focar no presente, a não se desgastar tanto com as incertezas dos próximos meses. Hoje é uma parte do dia a dia e tenho certeza de que vou continuar praticando”, descreve.

7. Comprar roupa

Há quem adore fazer compras presenciais, mas também tem muita gente que detesta a função de ir ao shopping, achar vaga no estacionamento e passar de loja em loja à procura das roupas ideais. Sem falar na confusão do provador.

Durante a pandemia, muitas lojas aprimoraram os serviços de vendas virtuais, com informações bem mais detalhadas sobre as peças e ferramentas que facilitam a escolha do modelo e do tamanho adequado. Com a vantagem de que, caso você não goste do resultado quando a roupa chegar em casa, pode devolvê-la e receber o dinheiro de volta.

8. Comprar carro

As montadores desenvolveram sistemas eficientes para a venda online de carros. Aceleraram, com isso, a tendência de redução gradual do número de concessionárias.

As lojas virtuais de veículos permitem conhecer detalhes de cada modelo, preços, possibilidades de pagamento e de financiamento. Há serviços de avaliação online do carro usado que será incluído como parte do pagamento. Se o cliente quiser, pode agendar um test drive – o carro é levado a domicílio. Da mesma forma, quando o negócio é fechado, o zero quilômetro é entregue em casa.

9. Exercícios

A personal trainer Patrícia Bonetti passou a dar aulas à distância durante a pandemia – e adorou a experiência. Antes, ela só dava aulas presenciais e gastava cerca de dez horas por semana no trânsito. Com as aulas online, consegue atender mais alunos num dia, por valores 20% inferiores aos que cobrava presencialmente.

Patrícia passou a destinar parte do tempo ganho às lives abertas, que se tornaram uma grande vitrine para o seu trabalho. “Ao mesmo tempo em que ajudo as pessoas ensinando a fazer exercícios com materiais disponíveis em casa, como panos e cadeiras, aumento o número de seguidores e construo uma base de novos possíveis alunos”, ela explica.

O crescente interesse despertado pelas aulas online de Patrícia e seu bom desempenho diante da câmera atraiu a atenção da Gillette, que a convidou a fazer lives patrocinadas pela empresa.

10. Baladinhas

Ok, sair de casa é bom, encontrar ao vivo pessoas queridas também, mas nem por isso as baladinhas virtuais devem ser totalmente abolidas do nosso futuro.

Imagine aquela noite de sexta, depois de uma semana de muito trabalho, em que seria ótimo ouvir uma música, beber um pouco e jogar conversa fora, mas, ao mesmo tempo, você está com uma enorme preguiça para sair de casa. Encontrar os amigos por vídeo não seria má ideia, certo?

As vantagens são sedutoras: você economiza um bom dinheiro, não precisa se preocupar com transporte e o melhor de tudo: tem um banheiro sempre limpo e vazio à disposição.

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