De um lado, a crise do coronavírus mexe de jeito no mercado de crédito ao aumentar a incerteza e o risco dos empréstimos. De outro, ela evidencia as vantagens de modelos que dão mais segurança para o credor sem que, para isso, seja necessário encarecer muito os juros.

É essa a constatação de Fabio Zveibil, vice-presidente de negócios da Creditas, fintech de empréstimo pessoal com garantia. A startup foi pioneira nesse formato de crédito no país, e viu  Banco Central respaldar o modelo ao passar a autorizar o financiamento imobiliário como garantia de outro empréstimo.

O modelo ajuda a reduzir o risco do crédito no cenário com ou sem pandemia. Isso leva os juros lá para baixo. “Nosso produto, com garantia, fica ainda mais relevante nesse momento de crise e incerteza”, diz Zveibil. Quanto ao mercado de empréstimo pessoal como um todo, incluindo os créditos com ou sem garantia, a situação está delicada porque faltam elementos para reduzir o risco de inadimplência. E por isso os juros continuam caros, apesar das sucessivas quedas na Selic.

 Como a Creditas sentiu a crise? O período entre março e abril foi de susto e decisões conservadoras. Era hora de entender qual o tamanho e a natureza da crise, e que setores seriam mais ou menos afetados. 

Isso refletiu na forma de tratar os clientes.

Nem toda parcela foi negociada: Cerca de 40% do total de dinheiro emprestado pela Creditas vai para pequenos empresários que tomam crédito como pessoa física, mas usam os recursos para os micro negócios que têm.

Nas situações em que esses negócios estavam nos setores mais afetados pela pandemia, a Creditas conversou com o cliente e entendeu se e como poderia reduzir a parcela e refazer os cálculos do empréstimo.

Mas nos casos em que o cliente foi pouco afetado, o pagamento do empréstimo continuou normalmente, registrou Zveibil.

O que mudou na demanda por crédito? A demanda por crédito pessoal caiu, afirma Zveibi. “Pessoas que antes queriam reformar a casa, por exemplo, adiaram os planos”. E novas empreitadas mesmo nos pequenos negócios não são prioridades agora – pelo menos não para os clientes da Creditas.

O que mudou no produto? Quase nada. A análise de crédito continuou usando os mesmos critérios.

Mas o trabalho em conjunto com os cartórios mudou, e para melhor, registra Zveibil. A pandemia forçou registros online, o que é uma mão na roda para a fintech, que já fazia todo o atendimento online mas tinha uma parte do trabalho presa ao processo físico dos cartórios.

E na crise,  como a Creditas consegue dinheiro para emprestar? Isso foi um pouco de sorte, admite Zveibil. Em fevereiro, antes do mundo entender o tamanho da crise que vinha por aí, a fintech conseguiu um aporte de R$ 350 milhões. “Ajudou a dar fôlego para ter controle nas decisões em meio a crise”, conta.

Qual o desafio da Creditas? Tornar o crédito com garantia mais popular. A fintech oferece hoje crédito que tenha como garantia ou o imóvel ou o carro do cliente. Também dá para usar o formato de crédito consignado, desde que o cliente seja funcionário de uma empresa parceira da Creditas.

“O brasileiro ainda alavanca pouco suas propriedades”, acredita Zveibil. Ele vê um espaço maior para informações. Mas na crise, a fintech reduziu os investimentos em marketing e isso deve resultar em um “atraso” no avanço das informações e popularização do produto.

Em tempo: para que os clientes da Creditas tomam dinheiro?

  • Refinanciamento e troca de dívidas: 43% do total de clientes
  • Investimento no próprio negócio: 19%
  • Reforma da casa: 12%
  • Aquisição de bens: 9%
  • Casamento, viagem, estudo: 17%

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.