O braço executivo da União Europeia pedirá aos estados membros que estabeleçam uma meta de vacinação de pelo menos 70% da população do bloco até o verão no hemisfério norte, de acordo com minuta das novas recomendações de resposta à pandemia que serão divulgadas na terça-feira (18).

A Comissão Europeia também promete chegar a um acordo com os estados membros até o fim deste mês sobre um protocolo para certificados de vacinação “que podem ser reconhecidos e usados em sistemas de saúde em toda a UE, e que poderiam ser ampliados globalmente em coordenação com a Organização Mundial da Saúde”, segundo a minuta do documento vista pela Bloomberg.

Esses certificados podem substituir quarentenas e exigências de testes, que comprovariam que a pessoa já não apresenta alto risco em viagens.

O documento preliminar, que ainda está sujeito a alterações até ser formalmente adotado na terça-feira, surge em meio ao aumento dos casos de Covid que forçou governos da UE a prolongarem os lockdowns. Também segue a lenta implementação das campanhas de vacinação em todo o continente, que deixaram a UE atrás dos EUA, Reino Unido e outros países desenvolvidos.

Os líderes da UE buscarão maneiras de reforçarem as campanhas quando realizarem uma videoconferência na quinta-feira, quando as novas propostas da comissão serão apresentadas. Entre as questões mais polêmicas na mesa está o plano de certificados de vacinação que permitiriam a retomada das viagens, pelo menos para pessoas que receberem a vacina.

A ideia, que o documento da comissão parece adotar, reflete a ansiedade de economias dependentes do turismo, como a Grécia, de salvar a temporada de férias do verão europeu. Países como a França, no entanto, relutam em adotar o uso desses certificados por enquanto, porque dariam a impressão de que as vacinas são obrigatórias quando ainda não estão disponíveis para todos devido a restrições de oferta.

Proibições de viagens

“Para garantir um esforço ambicioso de vacinação, metas concretas são essenciais”, afirma o documento da comissão. “Até março de 2021, os estados membros devem ter vacinado um mínimo de 80% dos profissionais de saúde e de assistência social e pessoas com mais de 80 anos” e, “até o verão de 2021, os estados membros devem ter vacinado um mínimo de 70% da população adulta”.

As recomendações da comissão, que não são vinculantes para os estados membros, também incluem o sequenciamento do genoma de pelo menos 5% – e de preferência 10% – de todos os testes de coronavírus positivos para identificar e rastrear novas variantes; ampliação do uso de testes rápidos; desestimular “fortemente” todas as viagens não essenciais para qualquer lugar até que a situação epidemiológica melhore; e substituir proibições de viagens gerais por medidas mais direcionadas.

A comissão também promete “acelerar o processo de aprovação de novas instalações de produção” e ajudar estados membros a estabelecer centros de vacinação e sistemas eletrônicos de reserva. As propostas refletem preocupações do bloco de que a capacidade atual de produção das vacinas aprovadas é insuficiente.

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