Alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos reportaram seus resultados do segundo trimestre nesta terça-feira (dia 14). Apesar de o lucro e as receitas terem caído menos que o esperado, o volume provisionado — ou seja, recursos separados para arcar com perdas decorrentes da inadimplência —  acendeu um alerta no painel dos investidores.

Por quê? As provisões são o sinal mais concreto de que o pior da pandemia do coronavírus pode não ter ficado ainda para trás. A expectativa de um número maior de calotes indica que a renda das famílias americanas deve seguir pressionada, o que prejudicará o pagamento de contas e empréstimos.

Essa percepção contrasta com a melhora nos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, mas também indica uma terceira via: a de que as demissões estão diminuindo, mas as contratações podem demorar a voltar ao normal.

“Os bancos fizeram provisões importantes no primeiro trimestre, quando a pandemia estava só começando. Qualquer provisão extra também é um sinal de alerta”, diz Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. Ou seja: com menos dinheiro na mão e endividadas, as famílias americanas devem consumir menos, o que afeta todo o setor produtivo do país.

Quais foram os resultados divulgados? O Citi divulgou nesta terça-feira (dia 14) uma queda de quase 73% no lucro trimestral. O banco teve lucro de US$ 1,32 bilhão, abaixo dos US$ 4,8 bilhões registrados no segundo trimestre de 2019. Mas o dado que preocupou os investidores foi o seguinte: o banco reservou mais US$ 5,6 bilhões em provisões.

Como o terceiro maior emissor de cartões de crédito nos Estados Unidos, o Citi é especialmente suscetível a qualquer aumento na inadimplência, que tende a acompanhar de perto elevações no desemprego.

Outro dado interpretado de forma negativa foi que embora os depósitos tenham subido subiram 18%, impulsionados pelas medidas de estímulo e liberação de liquidez pelo Federal Reserve, o total de empréstimos concedido pelo Citi ficou praticamente estável.

O JPMorgan, maior banco dos Estados Unidos, também reservou um volume significativo para potenciais calotes. No total, o banco provisionou US$ 10,5 bilhões. Já o lucro veio melhor que o esperado, apesar da queda de 51%. O resultado líquido foi de US$ 4,69 bilhões no segundo trimestre.

“Apesar de alguns dados macroeconômicos positivos recentes e de uma ação governamental significativa e decisiva, ainda enfrentamos muita incerteza em relação à trajetória futura da economia”, afirmou o presidente-executivo do JPMorgan, Jamie Dimon.

O último banco americano que divulgou seus resultados hoje foi o Wells Fargo. O volume provisionado pela instituição foi de US$ 9,5 bilhões, e houve um prejuízo líquido de US$ 2,4 bilhões. No segundo trimestre de 2019 o banco havia registrado um lucro de US$ 6,2 bilhões.

(Com Reuters)

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