Em tempos de quarentena, o mundo dos benefícios de alimentação concedidos pelas empresas para o almoço dos funcionários mudou. Com a maioria dos bares e restaurantes fechados, e muitos trabalhando em home office, a utilização do vales refeição se reduziu e, ao mesmo tempo, mudou de perfil.

Segundo empresas especializadas nesse mercado consultadas pelo 6 Minutos, com o agravamento da crise do coronavírus aumentou, e muito, o uso do benefício através de compras em aplicativos de delivery, como iFood, Rappi e Uber Eats.

Além disso, cresceu o número de restaurantes que passaram a aceitar os vales refeição, se credenciando nas plataformas de entrega.

“O aumento de estabelecimentos credenciados foi muito expressivo. Os restaurantes estão querendo se conectar. Essa crise está servindo para uma transformação digital desses negócios, que buscam se adequar ao usuário”, afirma Willian Tadeu Gil, diretor de Relações Internacionais da Sodexo Benefícios e Incentivos.

Como estão as transações através das plataformas de entrega de comida? De acordo com dados da Ticket, nos seis primeiros dias deste mês o volume de consumo na internet já é equivalente a todo o período de março.

“Hoje estamos conectados com duas plataformas: a Uber Eats, na qual somos exclusivos, e lançamos uma parceria na grande São Paulo com a Rappi há três semanas, em 16 de março”, disse Adriana.

A Sodexo, que possui parceria com a Rappi, Apptite e Liv Up, não revela números, mas afirma que o incremento é bastante forte.

A crise fez cair o uso dos benefícios refeição e alimentação? Segundo a Ticket, sim. “As pessoas têm menos opções para utilizar. Isso está acontecendo em todas as empresas que emitem vale refeição”, afirmou Adriana Serra, diretora de produtos da Ticket. “É o mesmo padrão que observamos nos gastos do cartão de crédito, por exemplo. É um movimento natural”.

Na avaliação da Sodexo, a diferença maior foi no caso do vale alimentação (utilizado em supermercados), que teve um pico de utilização logo no início da quarentena.

“O comportamento do usuário do cartão alimentação foi fazer menos compras mas comprar mais volume”, afirma Gil. “No caso do cartão refeição, houve uma adaptação na forma de utilização, que passou a ser mais pela internet, mas o uso está normal”.

Os bares e restaurantes estão se interessando em aceitar mais benefícios e se cadastrar nas plataformas? Sim. Desde o mês passado, a Ticket, por exemplo, ampliou em quatro vezes a rede de estabelecimentos que aceitam o benefício no Uber Eats e no Rappi, com quem fechou parceria em 16 de março.

“Vemos uma procura grande de restaurantes que nem sabiam direito da existência de algumas plataformas e hoje estão procurando se credenciar para fazer parte”, diz Adriana.

Cerca de 30% dos usuários da Ticket admitiram ter aumentado a frequência dos pedidos em delivery, de acordo com pesquisa feita pela empresa.

Tanto que as próprias empresas especializadas em benefícios estão direcionando recursos para a integração de bares e restaurantes com as plataformas.

“Começamos a investir em auxílio a restaurantes, para tentar fazer uma ponte com os aplicativos”, afirmou Gil, da Sodexo. “Fechamos também parcerias para oferecer descontos aos usuários. Queremos ser facilitadores, integradores do usuário com o comércio”.

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