A União Europeia comemorou esta semana o importante marco de 70% da população com imunização completa. Mas, no país mais pobre do bloco, a taxa não chega a 25%.

Os números na Bulgária se destacam como extremos, mas também capturam uma divisão leste-oeste que piorou nos últimos meses. A Bulgária imunizou totalmente apenas 20% dos adultos contra a Covid-19, enquanto na vizinha Romênia, a taxa é de 32%. Alemanha, França, Países Baixos, Espanha e Irlanda, em comparação, estão todos acima de 70%.

A maior diferença é parcialmente explicada por campanhas mais incisivas – e às vezes polêmicas – em países da Europa Ocidental, especialmente França, que impulsionaram a vacinação. Mas também reflete percepções de corrupção e uma desconfiança profundamente arraigada nas autoridades em alguns países do Leste Europeu, bem como a preocupação com a segurança das vacinas.

Cerca de 23% dos búlgaros não querem ser vacinados, em comparação com uma média de 9% na UE, de acordo com a pesquisa Eurobarômetro publicada em junho. A confiança no governo está entre as mais baixas do bloco.

Se a baixa imunização na Romênia e na Bulgária levar a um novo pico de casos de Covid-19, isso terá impactos econômicos, sobrecarregando os recursos hospitalares, prejudicando empresas e minando a capacidade de atrair turistas tão necessários para os resorts do Mar Negro.

A taxa de casos de coronavírus em 14 dias na Bulgária é de cerca de 190 por 100 mil pessoas, um pouco abaixo da média da UE. Mas o índice de mortalidade está acima de 30 por 100 mil, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, mais do que o triplo do número da UE.

A diferença na taxa de vacinação entre leste e oeste é uma das muitas maneiras pelas quais a pandemia dividiu a Europa. Também houve divisões entre riqueza e faixas etárias, todas as quais, de acordo com o Conselho Europeu de Relações Exteriores, “assombrarão o continente por muitos anos”.

“À medida que a Europa começa a lidar com as consequências de longo prazo da pandemia, essas divisões em experiências se transformarão de uma divisão silenciosa em um grande cisma”, disse o Conselho em relatório esta semana. “Isso pode ter implicações profundas para alguns dos maiores projetos da Europa”, incluindo a liberdade de movimento e o plano de recuperação de bilhões de euros do bloco.

Embora a taxa de vacinação seja melhor na Eslováquia, Croácia e Eslovênia – cerca de 50% -, os três países ainda estão abaixo da média da UE. A Hungria tem um desempenho regional superior, com 65%.

Na quinta-feira, a Bulgária anunciou restrições para bares e restaurantes para tentar limitar a propagação do coronavírus. Mas, apesar do aumento das hospitalizações e mortes, o primeiro-ministro Stefan Yanev descartou obrigar a vacinação.

“É direito de todos decidir como administrar sua vida pessoal e sua saúde pessoal”, disse Yanev esta semana.

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