O coronavírus pode continuar ativo e se replicando no trato intestinal depois de sair das vias respiratórias, aponta pesquisa da Universidade de Hong Kong, na China. As descobertas, publicadas na revista médica GUT, podem implicar na identificação e tratamento de casos de Covid-19, disse a instituição em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 7.

O SARS-CoV-2 se espalha principalmente por respingos de secreção da boca e do nariz contaminadas com o vírus, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Desde as primeiras semanas da pandemia, no entanto, cientistas da China disseram que o agente patológico também pode ser transmitido pelas fezes dos pacientes.

Um estudo de fevereiro com 73 pessoas hospitalizados com o coronavírus na província chinesa de Guangdong revelou que mais da metade testou positivo para o vírus em suas fezes.

Os cientistas de Hong Kong estudaram amostras de fezes de 15 pacientes para entender melhor a atividade do vírus no trato gastrointestinal. Eles encontraram infecção intestinal ativa em sete deles, alguns dos quais não apresentavam náuseas, diarreia ou outros sintomas digestivos. Três continuaram a apresentar infecção viral ativa até seis dias após suas amostras respiratórias terem testado negativo para Covid-19.

A descoberta “destaca a o comportamento do coronavírus a longo prazo, e a possibilidade de outras formas de transmissão, como a fecal-oral “, disse Siew Chien Ng, diretor associado do Centro de Pesquisa da Microbiota Intestinal da universidade.

Tratamentos que mapeiam a composição e o funcionamento do microbioma intestinal devem ser explorados, aconselha Ng. As bactérias intestinais de pacientes particularmente infecciosos mostraram uma perda de micróbios protetores e uma proliferação de agentes patológicos da de doenças.

A Universidade Hong Kong oferece exames de fezes gratuitos para viajantes que chegam ao aeroporto desde o final de março, e entre as mais de 2.000 amostras testadas, identificou seis crianças infectadas pelo coronavírus. A partir de segunda-feira, até 2.000 testes Covid-19 serão feitos diariamente como parte da detecção direcionada de pessoas assintomáticas.

“O teste de fezes é preciso e seguro, tornando-o adequado e mais eficaz para o rastreamento de Covid-19 para grupos específicos de pessoas”, disse Chan. Alguns reguladores, incluindo a Food and Drug Administration dos EUA, entraram em contato com o a universidade sobre os exames de fezes.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.