O Produto Interno Bruto caiu 1,5% neste primeiro trimestre, no embalo da queda acentuada de 1,6% do setor de serviços. Mas um outro dado divulgado nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) chama a atenção. O consumo das famílias despencou 2%, na contração mais acentuada desde 2001.

Vale juntar os pontos: o setor de serviços representa 74% do PIB – se ele sobe o desce, o PIB acompanha. Quem mais consome serviços, que inclui comércio, atividade imobiliária e transportes, são as famílias. Logo, se há queda no consumo das famílias, o serviço cai e leva o PIB junto.

O que impactou o consumo das famílias no 1º trimestre? Já havia uma incerteza no ar, em meio aos embates políticos e os temores de como isso refletiria na economia, que ensaiava uma recuperação mas não estava a todo vapor. A análise é de João Rosal, economista-chefe da Guide Investimentos. Com a chegada do coronavírus em março, essa incerteza foi ampliada.

E continuou. A demanda por crédito caiu mais de 24% em abril ante março, segundo a Boa Vista.

Daqui para frente vai piorar, afira Lucas Cardoso, da Toro Investimentos. O desemprego já estava alto no pré-pandemia, e entre fevereiro e março 4,9 milhões de trabalhadores formais e informais perderam o emprego. Isso dá uma dimensão de como fica o mercado de trabalho.

“Se nos EUA, onde os empregos estavam crescendo, a taxa de desemprego saiu de 3,5% para 14,7% na pandemia, podemos ter uma dimensão de como fica o cenário aqui, onde o desemprego era superior a 10% antes da crise”, analisa Cardoso.

No fim do dia, emprego significa renda e segurança. Com menos pessoas empregadas, os consumidores vão repensar seus gastos e haverá restrições orçamentárias.

Enquanto incerteza e desemprego não diminuírem, é difícil imaginar o consumo crescendo de forma mais sustentável – e levando consigo o setor de serviços e o PIB propriamente dito.

Como sair disso? O coronavírus impõe medidas de isolamento social e disso não dá para fugir. Mas a estrutura da retomada ajudará a dar ritmo na recuperação, ou postergá-la.

É por isso que se defendem medidas de geração de emprego em obras de infraestrutura com dinheiro público ou privado, por exemplo. Isso dá mais renda e o mínimo de estabilidade.

Falando em estabilidade, ela também é importante na esfera política. Rosal, da Guide, ressalta que isso poderá estimular o aumento da confiança do consumidor.

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