Os aplicativos de entrega rápida, como Rappi e James Delivery, surgiram com a proposta de permitir que as compras on-line de supermercado chegassem em até uma hora na casa dos clientes. Essa promessa vinha dando certo até a crise do coronavírus. O aumento brutal do número de pedidos ampliou esses prazos. Em alguns casos, a compra on-line no app do supermercado pode levar até dez dias para chegar à casa do cliente.

Quem vem sendo afetado? Todos os setores que trabalham com delivery são atingidos, mas os mais sensíveis são os supermercados, que entregam produtos perecíveis que precisam chegar rapidamente na casa das pessoas para não perderem a validade do prazo de consumo.

Na prática, como os supermercados estão sentindo isso? No caso do GPA, dono do Pão de Açúcar, Extra e Assaí, as vendas on-line subiram da ordem de 1.000 para 3.500 pedidos por dia, segundo relatório de Gustavo Oliveira, analista de varejo do USB. Esse aumento repentino elevou o prazo de entrega de 1 para 10 dias. Nas lojas físicas, houve um aumento nas vendas de 100%. No site, a expansão chega a 300%.

A Rappi, que faz entregas para o Carrefour, também elevou o prazo de entrega, mas não informou em quanto tempo. “O prazo de entrega está maior devido ao volume de pedidos, e queremos pedir paciência e compreensão aos nossos usuários”, afirma em nota.

Uma consulta ao aplicativo Rappi nesta sexta-feira mostrou que a primeira data disponível para uma entrega no Carrefour era para segunda-feira. N app James Delivery, um pedido feito às 15h30 no Minuto Pão de Açúcar, com prazo de entrega de 30 minutos, levou 1h30 para chegar à casa da reportagem.

A situação é alarmante então? Em conferência com analistas, executivos do GPA disseram acreditar que a situação de consumo desenfreado deve se normalizar no período de quatro a oito semanas. Enquanto isso não acontece, as lojas já limitaram a venda de alguns produtos por clientes. Mas o grupo não descarta adotar medidas mais drásticas, conta o relatório do USB, como restringir a 70 o número de clientes dentro das lojas do Pão de Açúcar.

O que fazer? A dica é tentar não se alarmar e esperar que os varejistas reponham seus estoques. Segundo a Neogrid, especializada em suprimentos do varejo, o problema é menos de estoque e mais da dificuldade dos supermercados para repor os produtos que acabam nas prateleiras. Uma vez que a situação se controle, o consumidor deve agir com consciência e não comprar mais do que precisa, pois isso pode prejudicar outras pessoas, além de forçar aumento de preços.

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