Apesar de as primeiras medidas de flexibilização da quarentena estarem saindo do papel, ainda é difícil saber quando a pandemia do coronavírus estará minimamente controlada. Esse é um fato importantíssimo para quem está planejando uma viagem, ainda que seja para um horizonte mais distante.

Dados do Kayak, plataforma de plataforma de busca de passagens aéreas, mostram que a busca por voos ainda está 70% menor que no mesmo período do ano passado, mas que o relaxamento das medidas de isolamento e a queda das barreiras sanitárias têm estimulado algum planejamento para o ano que vem.

Pode me contar mais sobre os dados? De acordo com o Kayak, a busca de viagens está 75% menor que no ano passado. Quando dividimos esse indicador em viagens internacionais e domésticas, é possível perceber que os turistas brasileiros estão mais focados em buscar destinos dentro do próprio país. Veja os dados:

  • Buscas por voos domésticos em relação a 21 de junho de 2019: -69%
  • Buscas por voos internacionais em relação a 21 de junho de 2019: -83%

Por que? Alguns fatores explicam essa preferência. O primeiro é o dólar e o euro: embora essas moedas tenham dado uma trégua recentemente, o fato é que as cotações continuam muito altas. No ano, o dólar e o euro acumulam uma valorização de 30%.

O segundo, e possivelmente mais importante fator, são as restrições sanitárias. Muitos países permanecem fechados para turistas do exterior, e o fato de o número de novos casos de covid-19 ainda não ter estabilizado no Brasil só tende a fechar portas para os viajantes brasileiros.

Mas o turismo local não está voltando ao normal? Alguns dos principais destinos domésticos começaram a reabrir as portas, ou já anunciaram que farão isso em breve. Alguns exemplos são Gramado, no Rio Grande do Sul, Foz do Iguaçu, no Paraná, e Porto de Galinhas, em Pernambuco.

Os dados do Kaya mostram que a busca por voos para Recife e Porto Alegre, por exemplo, têm aumentado nas últimas semanas — mas não é possível saber se esse aumento se deve exclusivamente à reabertura dos pontos turísticos próximos a essas cidades. O que é possível concluir é que na ausência de sinais concretos de quando o exterior abrirá as portas para os turistas, os destinos domésticos são a alternativa para as férias.

Busca para viagens para Porto de Galinhas, em Pernambuco, aumentou nas últimas semanas.
Crédito: Shutterstock

Mas viajar quando? Uma pesquisa feita pelo Kayak mostrou que 40% dos brasileiros estão buscando viajar nos próximos 6 meses, e que 43% planejam viajar depois disso — só em 2021, portanto. Por fim, 17% não estão pensando em férias.

“Antes da pandemia, os brasileiros costumavam comprar os bilhetes para voos internacionais com pouco mais de 2 meses de antecedência. Já os voos nacionais eram comprados em média 3 semanas antes do embarque”, explica Eduardo Fleury, líder de Operações do Kayak no Brasil. Ele diz que essa busca para 2021 é atípica, e que as próprias companhias aéreas estão se adaptando para exibir preços para o próximo ano.

Onde o turismo já voltou? No cenário internacional, basicamente nenhum país abriu completamente as fronteiras. Na Europa, por exemplo, somente o trânsito de cidadãos europeus está permitido. Quem vem de fora só pode entrar caso tenha um visto de residência, trabalho, ou caso possua parentes de primeiro grau no país.

Regras parecidas estão sendo aplicadas nos Estados Unidos — inclusive para voos que somente fazem escala no país. O presidente americano, Donald Trump, disse no mês passado que avaliava proibir todos os voos vindos do Brasil até que a pandemia seja controlada por aqui. Não haveria nenhuma permissão de viagem para o país, nem nas condições citadas acima.

Destinos da América do Sul, como Chile, Argentina e Colômbia também estão fechados para estrangeiros, e não há previsão de reabertura. “Os brasileiros estão tateando os destinos para onde ele acha que poderá ir, não é um planejamento como antes. Até a pandemia, os critérios para escolher a viagem eram as férias e o dinheiro. Agora até a fronteira sanitária é mais importante”, diz o líder de operações do Kayak.

Como está a frequência de voos? Antes da pandemia, mais de 15 mil voos partiam de aeroportos de todo o Brasil. Fleury, do Kayak, conta que esse número não tem passado de 1.500, e que os poucos trechos que ainda são feitos são domésticos. As companhias aéreas estão firmando acordos informais de compartilhamento de voos para tentar aumentar a ocupação das cabines, mas ainda há aeronaves partindo com 50% da capacidade total.

E os preços? Essa redução brusca no número de voos tem causado um aumento do preço das passagens, mesmo em um momento em que as companhias estão tentando reforçar as vendas de bilhetes. “Algumas estão mantendo os preços, mesmo nas remarcações, mas os custos subiram muito”, conta ele.

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