Patrick Soon-Shiong, bilionário do setor de biotecnologia dos Estados Unidos, passou o último ano em casa, mas não ficou ocioso. Teve tempo de pensar em uma maneira de ajudar a África a produzir suas próprias vacinas.

A ImmuntyBio, da qual é coproprietário, assinou um acordo com o Instituto BioVac, uma empresa sul-africana de vacinas apoiada pelo estado, para fabricar imunizantes contra o coronavírus a partir do zero no país. Ele também doou 3 bilhões de rands iniciais (US$ 214 milhões) para o país onde nasceu para ajudar a transferir tecnologia para vacinas contra a Covid-19 e outras terapias que possam ser exportadas para o continente.

A origem de sua missão pode ser rastreada em quase 50 anos, quando deixou a África do Sul como médico recém-qualificado para adquirir a especialização que planejava trazer de volta cerca de cinco anos depois. Nascido em Port Elizabeth, uma cidade costeira recentemente rebatizada de Gqeberha, filho de pais nascidos na China, estudou em Joanesburgo e na Universidade da Colúmbia Britânica antes de se estabelecer em Los Angeles.

“Subestimei o tempo” que levaria, disse Soon-Shiong, de 68 anos, em entrevista esta semana de sua casa na Califórnia. “Mas não só consegui colher a tecnologia, como também consegui gerar a tecnologia.”

Durante décadas, Soon-Shiong acumulou fortuna após sua invenção do medicamento contra o câncer Abraxane e vendeu duas empresas por US$ 7,4 bilhões. Seu patrimônio líquido agora soma US$ 15,3 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, e seus ativos incluem o jornal Los Angeles Times e uma participação na equipe de basquete Los Angeles Lakers, que comprou de Magic Johnson.

A pandemia de Covid-19 destacou muitas das desigualdades globais em saúde, colocando em maior evidência como a África foi deixada para trás. Embora países africanos tenham administrado quase 65% de seus suprimentos de vacinas, menos de 0,5% dos 1,3 bilhão de pessoas do continente foram totalmente imunizadas. Ao mesmo tempo, muitos países desenvolvidos estão avançados nas campanhas de imunização, e os EUA se preparam para vacinar crianças em idade escolar apesar dos pedidos para compartilhar doses de sobra.

Isso gera temores quanto ao surgimento de novas variantes do coronavírus mais letais que, por sua vez, poderiam afetar a eficácia do atual conjunto de vacinas.

Existem menos de 10 fabricantes de vacinas na África, sediados no Egito, Marrocos, Tunísia, Senegal e África do Sul, e a maioria apenas embala e rotula imunizantes.

“Estão tão cansados de ficar atrás na fila”, disse Soon-Shiong. “Você precisa de autossuficiência para ser capaz de controlar seu próprio destino.”

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