O governo do Chile apresentou um plano gradual de saída do confinamento pela pandemia do novo coronavírus. O país convive com regras de isolamento social há quase cinco meses, com uma crescente impaciência da população. A proposta foi batizada pelo governo de “Passo a Passo”.

O plano foi apresentado pelo presidente Sebastián Piñera e é dividido em cinco etapas: quarentena (mobilidade limitada), transição (primeira etapa de flexibilização, para evitar uma abertura brusca), preparação (relaxamento do isolamento para pessoas fora do grupo de risco), abertura inicial (retorno de certas atividades, mas sem aglomerações) e abertura avançada.

“Graças ao esforço da maioria que cumpriu as normas sanitárias, hoje, depois de 5 meses de pandemia, estamos completando 5 semanas de melhoria que dão as condições para iniciar um lento e cuidadoso processo, passo a passo, para retomar parte de nossas atividades”, escreveu Piñera, em sua conta no Twitter, no domingo.

A implementação de cada uma das fases, contudo, ainda não tem prazo fixado e levará em conta a situação de cada região do país. Em Santiago, onde vive quase metade da população chilena, a abertura gradual dependerá da evolução das estatísticas epidemiológicas. “Iremos avançando passo a passo, tendo sempre todos os cuidados necessários e nos preparando para reagir a tempo em caso de termos que dar passos atrás”, disse o presidente.

“As cifras sanitárias mostram um horizonte que nos dá esperança. Doze de nossas 16 regiões estão mostrando melhorias nas últimas semanas”, disse Piñera, que completou: “No entanto, falta muito caminho para percorrer até voltarmos a nos encontrar como antes. Mas hoje começamos a avançar”.

Nesta segunda, 20, o governo do Chile reportou 2.099 novos casos de coronavírus nas últimas 24 horas, com um total de 333.930 infecções desde o início da pandemia. O Chile é um dos países mais afetados no mundo pela doença, com 8.503 mortos pela covid-19 – uma taxa de 451 óbitos para cada milhão de habitantes, superior até a dos EUA, que têm 434 por milhão.

“Temos que continuar trabalhando muito, com muito ímpeto, porque estamos conscientes de que podem haver surtos, e estamos preparados para eles”, declarou o ministro da Saúde chileno, Enrique Paris.

Questionado sobre as possibilidades de retomar a atividade na região metropolitana de Santiago, o subsecretário de Redes de Assistência, Arturo Zúñiga, afirmou que provavelmente o projeto não será dividido em comunas, mas em blocos.

Dessa forma, as localidades avançarão em cada etapa da estratégia de forma conglomerada e de acordo com uma série de indicadores, como a ocupação hospitalar e a evolução de novas infecções.

Regiões

A região metropolitana de Santiago está a caminho de completar dez semanas sob quarentena obrigatória. A área foi o principal foco de infecção no país desde a chegada do vírus. Entretanto, as regiões de Arica, Antofagasta, Atacama e Tarapacá, no norte chileno, juntamente com O’Higgins na região central, são agora as que despertam maior preocupação nas autoridades sanitárias.

O Chile é o oitavo país com mais casos de coronavírus registrados, à frente de Reino Unido, Irã e Espanha, por exemplo, segundo contagem independente da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

As regiões de Aysén e Los Ríos, no sul, são até agora as únicas que começaram a retornar à normalidade, com cinemas, teatros, restaurantes e cafés liberados para operar a 25% de sua capacidade.

 

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