Aquele movimento de corrida aos supermercados para garantir o suprimento durante a quarentena parece ter passado. Segundo números levantados pela consultoria Nielsen entre os dias 13 e 19 de abril, as vendas no varejo caíram 15,1%. A queda veio após duas semanas de alta na demanda por produtos do comércio. A pesquisa analisou as vendas de mais de 150 varejistas em todo o Brasil.

“Essa desaceleração é natural, pois tradicionalmente não é uma semana de abastecimento dos lares. No entanto, essa queda é mais significativa agora devido ao fato de sairmos de duas semanas de alto volume de compras, a primeira para o abastecimento e reposição das despensas e a segunda devido às compras de Páscoa”, destacou Fernanda Vilhena, gerente de atendimento ao varejo da Nielsen Brasil.

O que contribuiu mais para a queda? De acordo com a Nielsen, a queda nas vendas na segunda semana de abril foi explicada principalmente redução de demanda por itens perecíveis, mercearia e cestas sazonais. A venda de chocolates e ovos de Páscoa, por exemplo, caíram 76% e 98%, respectivamente.

Além dos itens de Páscoa, as bebidas também colaboraram para a queda no volume total de vendas — destaque para a redução na compra de vinhos (-26%), de refrigerantes (-13%) e cervejas (-12%). A análise é de que os consumidores estão deixando itens não-essenciais em segundo plano.

Prova disso é que até mesmo os produtos de e beleza tiveram queda na semana em questão. Itens como papel higiênico (-6,2%), desodorantes (-10%) e sabonetes (-5,7%) tiveram uma demanda menor, que é explicada também pela corrida por esses produtos nas semanas anteriores.

Alguma categoria de produtos viu as vendas subirem? Sim. Alguns itens de higiene, como antissépticos para as mãos tiveram uma alta de demanda de 8,7%. É possível perceber que os produtos relacionados à prevenção contra o coronavírus continuam sendo buscados nas gôndolas.

As vendas de Álcool (+5,6%), Concentrados de Limpeza (+1,3%) e Sabão Líquido (+2,9%) continuaram crescendo, por exemplo.

Mas é só isso? Outro aspecto curioso da pesquisa foi o registro de aumento de vendas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Houve um aumento nas vendas de celulares (+12,3%), TVs (+16,1%), notebooks (+16,6%) e máquinas de Lavar-Roupa (+19,3%). Já as Lava-Louças, que tiveram alta procura no começo do período de isolamento social, apresentaram queda de 37% na semana. 

“Esses produtos têm grande importância na cesta de Eletroeletrônicos. Porém, no caso do aumento nas vendas de aparelhos celulares, o crescimento pode estar ligado à necessidade do uso de aplicativos para o recebimento de auxílio do governo”, explicou Fernanda Vilhena, da Nielsen.

 

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