O coronavírus atingiu em cheio o mercado de academias, que tiveram de fechar suas portas em meados de março para conter a disseminação da doença. Por enquanto, aplicativos que agregam academias, como Gympass e TotalPass, dizem ter mantido os pagamentos aos estabelecimentos credenciados. Mas esse compromisso pode mudar se a crise durar muito tempo. Para sobreviver ao isolamento social e manter os alunos cadastrados, os aplicativos tentam oferecer aulas online.

O que essas empresas fazem? Para quem nunca ouviu falar do Gympass ou TotalPass vale uma explicação: são empresas que conectam alunos a redes de academias espalhadas por todo o país. No caso do Gympass, os planos mensais são vendidos para pessoas físicas e empresas, que oferecem o benefício a seus funcionários. A TotalPass só negocia com companhias. A vantagem desse tipo de serviço é poder experimentar diversas academias e atividades diferentes.

Como elas vão manter os pagamentos para as academias?

Uma das preocupações dos usuários desses planos é com a sobrevivência das academias que frequentam, afinal eles continuam pagando pelo serviço. As estratégias para tentar irrigar o caixa das academias é diferente entre os agregadores. O Gympass antecipou o pagamento das academias de março (que seria feito em 15 de abril) para o próximo dia 6. Ao mesmo tempo, está incentivando que as academias passem a oferecer aulas ao vivo para os alunos – elas receberão um percentual por cada aluno que agenda uma aula online, como ocorre com o check-in.

Já a TotalPass, que pertence ao grupo Smart, decidiu que os pagamentos de março e abril serão mantidos, mesmo com as academias fechadas. Não há exigência da contrapartida das aulas online, embora esse conteúdo esteja sendo oferecido inclusive para não-alunos.

Como as academias vão sobreviver ao coronavírus?

Para Leandro Caldeira, CEO do Gympass, o momento é de reinvenção para todo mundo. “Estamos fazendo uma guinada para o mundo digital. Vamos entrar firme a partir da segunda-feira com a oferta de aulas ao vivo para os alunos. As transmissões poderão ocorrer via YouTube, Zoom, Instagram, mas o agendamento é feito pelo Gympass.”

Na TotalPass, também há oferta de aulas online, mas não ao vivo,  inclusive para alunos não  cadastrados.

Como serão os repasses para as academias?

No Gympass, as academias receberão pelos dias em que ficaram abertas em março e haverá uma complementação parcial do período fechado para as que passarem a oferecer aula ao vivo. Essa complementação será de 50% do valor perdido por conta do fechamento.

Para abril, as academias que oferecerem aulas ao vivo receberão de acordo com o total de aulas agendadas (conta leva em conta o tipo de plano de cada aluno). O valor, entretanto, será menor do que de uma aula presencial. “Tem que ser ao vivo para engajar mais. Se deixar aula gravada, não vai funcionar, o aluno não fica empolgado. Com o professor ao vivo, a chance dele continuar ativo no plano é maior”, diz Caldeira.

A Total Pass vai utilizar uma metodologia diferente: as academias receberão um valor baseado na remuneração de fevereiro ou março, o que for maior. “É uma forma de ajudar as academias a atravessarem a crise. Porque no final precisamos que elas sobrevivam e não tem outra maneira de ajudar”, afirma Corona.

E para os próximos meses? Corona diz que também deve garantir uma receita às academias. “Vamos ver o que vai acontecer.”

Alunos precisam pagar Total Pass e Gympass?

Como são agregadores de academias diferentes com tamanhos distintos, cada uma tem sua política para o assunto. A Total Pass começou a operar em dezembro e das 500 academias disponíveis, cerca de 400 são da sua própria rede, a Smart. Talvez por isso fique mais fácil não cobrar mensalidade do aluno. “Como não tem aula, não tem mensalidade”, diz Diogo Corona, diretor-executivo da Total Pass.

O Gympass, que tem uma rede de 23 mil academias espalhadas em 1800 cidades do país, não suspendeu a cobrança da taxa dos alunos e empresas. Por outro lado, Caldeira diz acreditar que o confinamento irá alterar a forma como as pessoas se relacionem com as academias. “Como 80% do nosso público era de sedentários, entendemos que é importante que a aula seja ao vivo, não gravada, para ser um incentivo a mais.”

Que lições o setor vai tirar da crise do coronavírus?

Para Cadeira, o setor vai sair da crise com uma oferta relevante de conteúdo online que não existia antes. “Aquelas academias que fizerem um bom trabalho vão criar uma nova linha de negócio. A aula virtual pode ser um bom negócio para pessoas que têm vergonha de participar de determinadas modalidades presenciais, como dança.”

Corona também diz acreditar em uma nova forma de relação com as academias. “Aquela pessoa que ia cinco vezes na academia, pode passar a treinar 3 dias na academia e dois em casa.”

Segundo Caldeira, as pessoas devem ficar mais preocupadas com a saúde. “O coronavírus é mais letal para quem tem outros problemas de saúde. Imagino que as pessoas tentarão se cuidar mais.”

Para Corona, há risco de quebradeira e maior concentração do setor. “Hoje, o setor é muito pulverizado. Tem muita informalidade, professor que ganha um dinheirinho e monta uma academia. Muita gente não vai sobreviver. Pode ser que a concentração fique maior e aumente o número de usuários depois da crise.”

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