A quarentena aumentou a necessidade de consumo digital. Seja porque as lojas estão fechadas ou porque há maior necessidade de ficar em casa, as compras online tornaram-se mais frequentes do que nunca. No entanto, quem precisa recorrer aos catálogos da internet tem notado que os pedidos estão demorando mais para chegar, ou que o frete grátis está cada vez mais raro.

Por que isso está acontecendo? O aumento repentino da demanda pegou muitos varejistas de calças curtas. “Em datas como a Black Friday, em que há um crescimento significativo de vendas, as empresas se preparam por meses para atender à demanda extra. Mas ninguém estava preparado para uma pandemia”, analisa Alexandre Machado, sócio-diretor da GS&Consult.

Quem já tinha algum tipo de estrutura de frete online precisou ampliá-la, e quem não tinha tentou improvisar um esquema de entregas. Tudo isso gerou uma pressão extra na cadeia de logística.

Mas nem mesmo as grandes varejistas estavam preparadas? Para chegar aos mais diversos locais do Brasil sem depender dos Correios, varejistas como Magazine Luiza, Via Varejo e B2W têm uma rede enorme de empresas terceiras de entrega.

“Essas empresas chegam a ter mais de 1.000 parceiros logísticos. A maioria desses parceiros são pequenas pequenas e, por ter um caixa frágil, algumas não conseguiram sustentar as operações durante a pandemia“, conta Patricia Cotti, diretora do IBEVAR (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo).

De acordo com uma pesquisa da Ebit, até mesmo os itens de compra recorrente estão com prazos longos de entrega — o último levantamento mostrou um prazo médio de 17 dias, frente a 10 dias antes da pandemia. Machado, sócio da GS&Consult explica que as empresas estão pecando pelo excesso, para evitar reclamações, e que muitas vezes a entrega é mais rápida do que a estimada.

Com menos transportadoras fazendo o que o varejo chama de “última milha” da entrega, as lojas precisaram ampliar os prazos de frete para garantir que não haveria atrasos. “Essa ponta final sofreu um aumento de demanda repentino. Além disso, a mão de obra do setor diminuiu, em razão do afastamento dos funcionários que fazem parte do grupo de risco”, explica Cotti, do IBEVAR.

Mas e quanto ao frete? Está mais difícil encontrar frete grátis para os produtos de menor valor, principalmente aqueles que passaram a ser mais demandados durante a pandemia, como produtos de limpeza, compras de supermercado e medicamentos.

“O frete é vilão do custo logístico das lojas online. O fato de um site oferecer frete grátis não significa que ele não está tendo esse custo”, diz Machado, GS&Consult. Ele explica que o varejo gasta de 10 a 15% com logística, e que a queda no faturamento fez com que boa parte dos lojistas reavaliasse a política de custear a entrega.

Trata-se de um recurso de marketing usado para captar clientes, e que não faz tanto sentido no contexto de epidemia, em que as pessoas estão mais propensas a comprar o que é essencial. “Quem está precisando daquele produto vai acabar comprando, não importa se o frete está mais caro”, diz o sócio-diretor da GS&Consult.

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