A busca por ser inovador pode levar ao sucesso ou ao fracasso, simplesmente por não entender o que este conceito, de fato, significa. A confusão se dá normalmente em dois momentos:

1 – Acreditamos que ser inovador é somente criar algo que nunca foi concebido e somos forçados a acreditar que inovadores são aqueles como Graham Bell, Thomas Edison, Steve Jobs e Elon Musk. E por não acreditarmos que estamos no mesmo patamar deles, simplesmente desistimos. Isso é invenção, não inovação. Uma invenção é inovadora, mas uma inovação não é, necessariamente, uma invenção. A diferença crucial é que na inovação temos uma proposta de alterar algo já conhecido, com o intuito de melhorá-lo.

2 – Muita energia tem sido dedicada para identificar novas oportunidades, gerar ideias e estimular a criatividade no ambiente de trabalho. Mas, na maioria dos casos, pouca atenção tem sido dada para transformar criatividade, ideias e oportunidades em resultados efetivos para o negócio. Há muito apego ao lado criativo, mas pouca atenção ao lado da execução.

Entre esses dois pontos, o que pretendo abordar e propor uma reflexão é sobre o segundo ponto. Por que o culto em criar ao invés de executar? Na economia criativa, as pessoas entendem o valor da execução?

Quando fundei a PorQueNão?, em 2010, tinha isso muito claro em minha cabeça: apenas iria me diferenciar se fosse além do lado consultivo, além da geração das ideias. Nós nos diferenciaríamos se, de fato, construíssemos o que imaginássemos.

Hoje isso talvez soe óbvio, mas não era tão óbvio assim em 2010, quando grandes consultorias e agências davam peso quase exclusivamente a uma boa estratégia, mas não tinham a mesma preocupação na execução. Isso mudou ao longo dos anos e vimos um movimento interessante de consultorias adquirindo empresas também especializadas na execução.

Sempre fui obcecado pela execução e muitos supostos intelectuais estrategistas torciam o nariz para essa maneira de pensar e agir. Entretanto, nessa trajetória, encontrei outros parceiros de negócio que pensavam da mesma maneira que eu, entre os quais, o time do Magalu/Luiza Labs, que tornaram-se clientes da PorQueNão?.  Em 2019, após a entrega de alguns projetos, optaram por nossa aquisição. O motivo? Na minha opinião, foi porque pensávamos exatamente da mesma maneira sobre a importância da execução.

Uma empresa extremamente pragmática, sem tempo para grandes elucubrações. Sim, estamos sempre estudando e vislumbrando as possibilidades a longo prazo (temos um time de P&D fulltime dedicado a isso), mas não abrimos mão da execução rápida, no curtíssimo prazo.

Ainda que isso soe óbvio em 2021, há muita gente falando e pouca gente praticando. Essa é uma das grandes virtudes do Magazine Luiza. Tomemos como exemplo o caso do Parceiro Magalu, colocado no ar cerca de 3 semanas após o início da pandemia no Brasil, em março de 2020. O produto acaba de completar um ano de vida e já registra mais de 47 mil sellers, durante um dos períodos mais difíceis da história no último século. Tudo isso graças à digitalização quase que instantânea por meio do Parceiro Magalu.

A plataforma foi lançada longe de uma versão ideal, mas hoje conta com um time de mais de 180 pessoas, alterando e evoluindo o produto continuamente para que mais empresários possam se beneficiar de forma perene e assim juntos, digitalizarmos o varejo do Brasil. A pandemia vai passar, mas muitos hábitos adquiridos e estabelecidos nesse momento não recuarão.  Entre eles, a enorme parcela de pessoas que migraram parte de suas compras para os canais digitais. O Magalu continuará sua movimentação e terá um produto ainda melhor e muito mais avançado do que aquele que colocou no ar em 31 de abril de 2020.