Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 no país e a imunização da população, algumas empresas já começam a organizar a volta ao escritório e esse momento pode causar insegurança e ansiedade nas equipes. Uma pesquisa realizada pela consultoria de recrutamento executivo Korn Ferry com 581 profissionais nos Estados Unidos indica esse sentimento.

Mais da metade (55%) das pessoas ouvidas disse que a ideia de retornar ao trabalho presencial gera um estresse. Só que boa parte sente que não tem opção. Entre os entrevistados, 58% disseram que admitir ao chefe a preferência por continuar trabalhando remotamente pode prejudicar as chances de ascensão profissional.

Ainda não há como medir como essa volta poderá desencadear a ansiedade de cada colaborador e lidamos com cenários que variam do medo de retornar ao presencial até a enorme expectativa pela volta da socialização presencial. Por isso, o ideal é que as empresas busquem tornar esse processo flexível e gradativo para amenizar uma quebra de rotina que está durando muito tempo.

O mais importante para evitar gatilhos de ansiedade é que a empresa mantenha a transparência e conversas frequentes com os colaboradores para motivação e esclarecimento dos cuidados que estão sendo proporcionados. Para aqueles que têm filhos, por exemplo, a dinâmica também vai mudar e se reestruturar, então é necessário paciência com essa adaptação por parte da liderança.

Papel do líder 

As lideranças têm um papel fundamental, pois elas podem demonstrar sensibilidade para o time e permitir que os colaboradores falem mais sobre o que estão sentindo em relação à volta, às mudanças e o ambiente de trabalho. A comunicação atrelada à abertura para falar sobre emoções cria uma relação de mais transparência, sintonia, sinceridade e flexibilidade entre líder e equipe.

Papel do funcionário 

Como as pessoas se acostumaram a ter uma rotina mais isolada, retornar para um ambiente mais dinâmico e com muito mais barulhos – como costuma ser o escritório – pode proporcionar uma certa exaustão inicial. Uma sugestão para facilitar essa transição é as pessoas já iniciarem essa adaptação ao sistema da empresa dentro de casa alguns dias antes de iniciar o presencial.

Por exemplo, acordar no horário que sairiam para trabalhar, respeitar o horário das refeições e intervalos (conforme seria no presencial), respeitar o horário de trabalho e finalizar as atividades conforme término do expediente na empresa, sair mais de casa para atividades ao ar livre e exposição gradativa para quem mantém o isolamento e estabelecer horários para dormir e relaxar conforme a rotina de cada um. Esses processos podem colaborar para que o colaborador relembre e vá se adaptando à antiga rotina.

Papel da empresa 

Uma pesquisa realizada pelo Zenklub com o Instituto Datafolha mostrou que 86% dos entrevistados consideram que benefícios como terapias online e treinamentos sobre habilidades emocionais ajudam a lidar com os impactos da pandemia. Pensando nisso, as organizações podem oferecer palestras ou consultorias com profissionais da saúde, além de conteúdos que auxiliem na adaptação.

As empresas também devem ouvir os colaboradores, permitir sugestões e dar espaço para que essa troca seja feita. Além disso, é importante que as organizações contem com instrumentos e ferramentas para fazer um diagnóstico e monitorar o bem estar e a saúde emocional de seus times e da empresa, fazendo com que seja possível oferecer tanto soluções para cuidado, quanto preventivas.