O time é o principal ativo de uma empresa, seja ela de qualquer setor. Quando pensamos no cenário nacional, esse profissional que está no mercado é hoje a classe economicamente ativa do país e é de extrema importância para superar esse momento de pandemia em que vivemos.

Apesar de sua relevância, esse ativo se encontra ameaçado e, não digo apenas pelo vírus ou pela situação econômica, mas por um outro desafio urgente, para o qual muitas organizações ainda não encontraram uma saída.

Hoje, o Brasil é o país mais ansioso do planeta. A depressão está entre as três doenças que mais causam absenteísmo no país e, todos os anos, mais de 280 mil pessoas são afastadas do trabalho por conta disso. Na lista dos 20 maiores motivos de afastamento do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), transtornos relacionados à saúde mental já ocupam cinco posições no ranking segundo dados de 2020. Estima-se que o problema gere, para as empresas, um custo de mais de R$ 200 bilhões, somadas as faltas, a perda de produtividade e as despesas com assistência médica.

Com uma possível terceira onda de covid-19 se aproximando e na ausência de políticas públicas adequadas para pandemia, cabe às empresas o ponto de atenção em cuidar de seus profissionais e garantir uma cultura e uma estrutura para que essas pessoas possam lidar com o tema da saúde emocional. E, sem dúvidas, esse é um desafio e tanto.

“Como falo com meu chefe sobre excesso de trabalho?”, “Estou exausto, como posso tocar no assunto, sem demonstrar fraqueza?” Esses e muitos outros questionamentos chegam diariamente a terapeutas ou mesmo ao “Dr. Google”, revelando uma sociedade que enxerga a necessidade de desaceleração, mas que ainda não sabe tratar o tema no âmbito corporativo, com medo de expor sua vulnerabilidade e, até mesmo, perder o emprego.

Por esse motivo, fica evidente que o primeiro passo dessa transformação tão necessária precisa vir das lideranças, trazendo o tema da saúde mental à tona e reconhecendo a situação desafiadora que vivemos. Quanto mais falarmos sobre um problema, mais chances temos de identificá-lo corretamente para, então, poder agir de forma mais efetiva.

É urgente que a gestão da saúde mental entre pela porta da frente nas empresas, permitindo a criação de uma cultura em que as pessoas se sintam confortáveis, em um ambiente seguro, para falar e enfrentar problemas desse tipo, assim como se sentem em relação à saúde física. E, mais do que isso, que possam ter espaço para se desenvolver emocionalmente para lidar com os desafios que se impõe à nossa sociedade.