A síndrome já era considerada um problema na saúde mental e um quadro de estresse crônico do trabalho. A nova classificação da Organização Mundial de Saúde, que entra em vigor em 1º de janeiro de 2022, vem para reforçar o burnout como uma síndrome ocupacional.

A nova Classificação Internacional de Doenças (CID 11) relaciona, definitivamente, a síndrome ao ambiente de trabalho, fazendo com que a organização passe a ter responsabilidade direta e indireta pela saúde emocional dos seus colaboradores.

Mas não é só esse ponto que precisa de atenção. Segundo o IBC (Índice de Bem-Estar Corporativo) criado pelo Zenklub com times de psicologia e educação corporativa para que as empresas tenham um panorama da saúde mental de seus funcionários, o Índice Geral de Bem-Estar Corporativo do mercado brasileiro ainda é médio – 49,25 em uma escala de 0 a 100, cujo índice ideal seria de, no mínimo, 78.

Quando falamos em ambiente de trabalho, o índice é de 42,48. Neste caso, quanto maior o número, melhor seria esse ambiente para o colaborador. Um ambiente de trabalho saudável precisa proporcionar a desconexão do trabalho e o respeito às pausas e descanso. Pontos como horários respeitados impactam no bem-estar da rotina e permitem que os colaboradores descansem e tenham tempo para momentos de qualidade de vida. Ou seja, as empresas têm uma jornada a percorrer.

Já em relação ao Burnout, os números trazem um alerta para as companhias: o índice é de 58,75. Neste caso, quanto menor a pontuação, melhor seria o índice de burnout e, consequentemente, de bem-estar. Isso significa que existe uma necessidade de atenção das empresas ao risco de estafa de seus trabalhadores e será essencial o monitoramento de causas e riscos de Burnout no gerenciamento da saúde e segurança do trabalho.

Sabemos que o tema saúde emocional não era abordado nas empresas até pouco tempo atrás. Havia um um tabu: o “bom colaborador” era aquele com mais habilidades técnicas e que não deixava as emoções aparecerem no ambiente profissional, ou seja, o que mais se parecia com uma máquina. Porém, começaram-se a notar casos de ansiedade, depressão e burnout no ambiente corporativo, entre outros problemas da mesma natureza, e as primeiras empresas começaram a olhar mais para o tema.

As empresas passaram a perceber que as pessoas não são máquinas e, ao tentar fazê-las agir dessa forma, as emoções – que são nossas características mais humanas e que não podem ser negligenciadas – cobram o seu preço, comprometendo, inclusive, o desempenho no trabalho. Além disso, as empresas perceberam que as emoções não só não são ruins e há habilidades emocionais que, se desenvolvidas, aumentam exponencialmente o desempenho de um profissional, como criatividade, empatia, habilidades de liderança, entre outros.

Ainda assim, o tema continua sendo relativamente novo para as companhias e pouco tangível, enquanto, para o colaborador, se torna peça chave para permanecer ou não naquele local de trabalho.

Por isso, ferramentas para medir o bem-estar tanto do colaborador, quanto da organização se fazem cada vez mais fundamentais, para que as orientações sejam feitas com base em dados e ciência e, principalmente, para que as companhias possam, a partir de informações, trabalhar com estratégias não só de cuidado e tratamento, como de prevenção. Se antes as empresas eram tidas como detratoras da saúde mental de seus colaboradores, agora elas têm a oportunidade de desenvolver o indivíduo, que forma times de alta performance e, consequentemente, entrega resultados para o seu negócio.