Vivendo em uma pandemia, um dos grandes desafios que trabalhadores e empresas têm enfrentado é o absenteísmo. Essa pode ser uma palavra complicada e ainda muito usada pelos profissionais de recursos humanos, mas que exprime um padrão preocupante nas organizações.

Absenteísmo no trabalho ou ausentismo é um padrão de falta dos funcionários por motivos que não doenças, desemprego ou licença. Também pode se referir ao período em que um funcionário se ausenta. Seja pelo contágio de trabalhadores pela Covid-19 ou pelo esgotamento, com casos como de burnout – só no setor de saúde, a pandemia fez a taxa de absenteísmo crescer de 2,2% em 2019 para 3,6% em 2020 no Brasil, segundo dados de um levantamento da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados).

Uma ausência pontual não costuma ter um grande impacto na empresa, mas quando ela acontece muitas vezes ou de forma generalizada, pode ser um sinal de alerta que deve ser investigado. No caso da pandemia, por exemplo, as causas podem ser externas, mas também podem indicar uma questão organizacional que tem impacto direto na saúde dos trabalhadores.

Falta de reconhecimento, condições de trabalho, altos níveis de estresse, transtornos de ansiedade, relacionamento ruim com a equipe e até ergonomia podem ser alguns dos motivos para que o colaborador entre no que chamamos de índice de absenteísmo. Resultados da pesquisa Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19, realizada pela Fiocruz em todo o território nacional, mostrou que pelo menos 50% dos trabalhadores da área de saúde admitiram excesso de trabalho, um fator que, especialmente no longo prazo, com jornadas exaustivas, pode ser determinante para o afastamento de um profissional.

Se não houver cuidado, o problema pode causar efeitos na produtividade, performance e consequentemente na receita da empresa, que passa a gastar mais recursos para manutenção de sua mão de obra.

Como lidar com o absenteísmo?

Assim como um problema de saúde em que o primeiro passo de um tratamento é o diagnóstico, para tratar o absenteísmo nas empresas é preciso identificar os motivos das ausências dos colaboradores, que podem ter origem na empresa ou em questões dos próprios funcionários.

Do ponto de vista das organizações, é preciso reconhecer o funcionário para além de um pacote de benefícios. Isso significa olhar para as pessoas, dar voz às suas questões e investir em uma comunicação eficiente e horizontal, que leve segurança. Não é de hoje que falamos em saúde mental, mas especialmente num contexto de pandemia, as empresas precisam promover o bem-estar, seja falando sobre alimentação saudável, exercícios físicos, benefícios da psicoterapia, coaching ou mesmo incentivando exames para manutenção da saúde.

Outro ponto crítico na jornada de engajamento do colaborador é a cultura organizacional. Quando uma empresa não tem um propósito definido e compartilhado com o seu time, fica muito mais difícil engajá-lo. Sem alinhamento, não existe coerência entre empregado e empregador. Horários de trabalho mais flexíveis, opção de trabalho remoto, planos de benefícios, incentivo para as habilidades de liderança, cursos e treinamentos são alguns dos exemplos de ações que promovem relações emocionais com a empresa e, consequentemente, mais engajamento.

Do lado do colaborador, é preciso ficar atento aos primeiros sinais de perda de produtividade. Esse sentimento de não ir ao trabalho é algo de cunho pessoal, estando relacionado ao seu momento ou à cultura da empresa? O diálogo é sempre o melhor caminho para encontrar a melhor solução.

Promover bem estar emocional não é custo, mas um investimento que vale a pena para as empresas, em qualquer cenário.