Até pouco tempo atrás, o tema saúde emocional não era abordado nas empresas e havia um tabu: o “bom colaborador” era aquele com mais habilidades técnicas e que não deixava as emoções aparecerem no ambiente profissional. Porém, começaram-se a notar casos de ansiedade, depressão e burnout no ambiente corporativo, entre outros problemas similares.

A pesquisa realizada pelo Zenklub com o Instituto Datafolha nos mostra que 6 em cada 10 trabalhadores brasileiros se sentiram sobrecarregados nos últimos 12 meses. Quando questionados sobre os sentimentos que vieram à tona no período, eles afirmaram que tiveram ansiedade (66%), exaustão ou muito cansaço (61%), insônia ou dificuldade para dormir (54%) e depressão (26%).

Foi a partir deste cenário que as empresas começaram a olhar para o tema com mais atenção. No entanto, a quantidade de pessoas com acesso a benefícios corporativos de saúde emocional é baixa, ao mesmo tempo em que  os trabalhadores têm grande consciência da importância do oferecimento desses benefícios.

O levantamento mostrou que 64% dos trabalhadores brasileiros não possuem nenhum benefício para cuidar da saúde mental, enquanto 86% consideram que benefícios como terapia online e treinamentos de habilidades emocionais podem ajudar a lidar com os impactos negativos da pandemia.

Mas as empresas podem e devem adotar medidas que ajudem seus colaboradores a lidar com a saúde emocional, a começar por contar com um profissional de referência em psicologia para aconselhamento e atendimento. Também é importante oferecer orientação e manejos de crises, além de garantir a avaliação permanente dos funcionários.

As medidas devem envolver todas as lideranças da empresa, por isso, é fundamental manter os gestores engajados como agentes de transformação, com capacitação para atuar em relação ao tema e oferecendo orientação sobre as melhores condutas. As companhias podem ir além e criar um programa antiestigma, promovendo debates abertos e intervenções em grupos com assuntos que busquem reduzir o estigma relacionado ao sofrimento psíquico e inserindo-o como pauta permanente na organização.

Também é importante que as empresas promovam ações de incentivo à saúde mental como campanhas e iniciativas para incentivar práticas culturais, esportivas, de nutrição, bem-estar e educação. Por fim, as empresas podem incluir boas práticas em sua cultura e na rotina de seus colaboradores que tenham efeito no dia a dia. Intervalos entre reuniões para evitar emendas, proibir agendamento de reuniões em horário de almoço e após às 18h para que não se estendam em horários de descanso e incluir um dia na semana sem reuniões são alguns exemplos.

Criar grupos pequenos de conversas com especialistas para estimular os funcionários a falarem sobre suas angústias foi uma das práticas da Unilever na pandemia. Oferecer atendimento psicológico para funcionários e familiares também são alternativas.

Ainda que o tema da saúde mental esteja mais popular, ele continua sendo um tabu em muitos escritórios e hoje, promover a qualidade de vida do seu colaborador está diretamente ligado com as boas práticas de ESG – Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança, em tradução livre). Por isso, é fundamental que a empresa tenha diretrizes claras sobre o tema e um ambiente aberto para escutar os seus colaboradores com transparência.