Fui questionado em uma live sobre o que me motiva a disseminar educação financeira com tanto afinco. Respondi: “a ascensão e a queda do meu pai”.

Explico melhor: em 1979, ele viajou meio planeta, pousou no Paraguai, cruzou a Ponte da Amizade com um moleque de 2 anos no colo (eu!) e entrou no Brasil sem dinheiro e sem falar português, em busca de uma vida melhor para a família.

Trabalhou bastante, ralou muito, tomou milhares de “não” na cara, mas conseguiu vencer na vida, chegando ao auge no início dos anos 1990. Lembro que, na época, além de casa própria em Moema, bairro nobre de São Paulo, apartamento no Guarujá e sítio no interior, nós tínhamos um Passat alemão na garagem. Para quem se lembra, esse era um dos carros mais top do Brasil daquela época!

Pois bem, ele ganhou muito dinheiro, mas nunca teve educação financeira para fazer com que esse dinheiro lhe garantisse qualidade de vida para sempre. Ele perdeu muito por não saber se proteger da inflação, nunca aprendeu a investir e gastou com bens (imóveis para uso próprio, carros, móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos) que depreciaram e perderam valor ao longo do tempo.

Hoje, ele é aposentado pelo INSS e recebe menos de um salário-mínimo por mês. Esse valor só dá para um terço do plano de saúde particular, fora moradia, alimentação, transporte etc. Para não depender dos filhos, meu pai resolveu voltar para Taiwan e se mudar para um asilo público, pois o custo de vida lá é bem menor para um senhor de 80 anos que ainda vai viver boas décadas (assim esperamos!).

Muito pior do que morar em um asilo do governo (que é de muita qualidade, diga-se de passagem), é trabalhar por 4 décadas e, aos 80 anos, não poder brincar com os 3 netos que moram no Brasil, um país que ele teve que deixar por motivos financeiros. Isso é triste demais.

Veja que não foi falta de receita, nem de esforço, muito menos de resultado! Foi falta de educação financeira para garantir uma renda complementar ao INSS na velhice, sendo que a única forma é por meio de investimentos recorrentes visando o longo prazo. As demais alternativas são receber uma herança milionária (improvável), ganhar na Mega-Sena (quase impossível), viver de favores de amigos ou parentes (meu pai não quis) ou fazer um ajuste drástico no padrão de vida (a única opção que sobrou).

Assim como meu pai, tem um monte de brasileiros competentes que trabalham arduamente, fazem hora extra, se capacitam, ajudam seus colegas, são éticos, mas infelizmente vão viver mal na velhice por não saberem gerir, hoje, as finanças do lar.

Por isso, meu afinco.

E você? Já está investindo para garantir uma renda complementar ao INSS?