Ao longo desses 12 anos de existência, analistas desenvolveram modelos de análise do “valor justo” do Bitcoin. Uma teoria que tem mostrado assertividade é o Stock-to-flow (S2F), ou estoque sobre fluxo.

Desenvolvida por “Plan B”, um pseudônimo, o modelo compara o Bitcoin com as demais commodities escassas, incluindo ouro, prata e platina. Em resumo, quanto maior a escassez, maior é o impacto da demanda no preço.

Como funciona a escassez do Bitcoin?

A emissão do Bitcoin cessa ao atingir 21 milhões de moedas em circulação. Atualmente temos 18,82 milhões de moedas emitidas, e isso é facilmente verificável por qualquer usuário do software da rede, ou mesmo nos exploradores de bloco gratuitos: Blockstream, Blockchair, dentre outros.

Estas novas moedas funcionam como um incentivo para os mineradores, que realizam o trabalho de encontrar a solução que interliga a nova sequência no blockchain, o banco de dados compartilhado pelos usuários.

No entanto, essa remuneração é reduzida pela metade a cada 4 anos, em um evento chamado halving.

Portanto, ao contrário das moedas fiduciárias (Dólares, Reais, Euros), não é possível acelerar a produção de Bitcoin em circulação, nem tampouco mudar o limite máximo.

O que diz o modelo Stock-to-Flow (S2F)?

O modelo permite analisar o preço justo do Bitcoin, conforme a oferta disponível ante a quantidade a ser emitida por ano. Por exemplo, se existem 10 milhões em circulação (stock), sendo criados 2 milhões por ano (flow), o S2F é de 10 / 2 = 5.

Calculando o S2F das commodities, temos ouro com 62, enquanto a prata apenas 22. Nota-se que o ouro continua sendo o ativo mais escasso do mercado, no entanto, é possível que novos eventos naturais ocorram e a oferta de ouro seja aumentada, diminuindo sua escassez.

Em comparação, o SF2 do Bitcoin é de: estoque atual (18,82 milhões) / fluxo minerado por ano (0,7 milhão) = 27.

No próximo halving, em 2024, esse número aumentará, pois a produção anual irá diminuir em relação ao estoque circulante, deixando a moeda ainda mais escassa.

A linha formada pelas bolinhas coloridas representa o preço do Bitcoin em dólar, enquanto a linha roxa indica o valor justo previsto através do modelo S2F.

Em 23 de setembro, o Bitcoin está em 45 mil dólares, no entanto, segundo o Stock-to-Flow, o valor justo é de 100 mil dólares. Dessa forma, o modelo indica que o BTC está “barato”.

A variação de cor serve para indicar o quão distante está o próximo halving.

O que diz “Plan B”, criador do Stock-to-Flow?

O autor postou no Twitter que a queda recente ocorreu por conta do potencial colapso da incorporadora chinesa Evergrande, que possui 300 bilhões de dólares de dívida.

No entanto, “Plan B” estima que até dezembro o Bitcoin deve subir para 100 mil dólares. O autor chega a afirmar que a falha em atingir tal patamar irá invalidar o modelo.

Hora de comprar?

Apesar do medo ter tomado conta do mercado, agora é o momento que investidores profissionais aproveitam para acumular. Quem possui visão de longo prazo, conhecido como “Holder”, aproveita para acelerar as compras neste cenário.

Além disso, o preço do Bitcoin não se distanciava tanto no gráfico de Stock-to-flow desde 2011, quando a moeda caiu para 0,60 dólar. Portanto, baseado no modelo de fluxo sobre estoque, esse é o segundo melhor momento da história para comprar.

A quantidade de moedas ativa está reduzindo

De fato, há clientes institucionais que venderam grandes posições, criando uma pressão negativa, porém é difícil que o preço se mantenha abaixo dos 40 mil dólares.

Segundo o modelo Stock-to-Flow, o Bitcoin está descontado, porém, enquanto continuar o noticiário negativo a respeito da regulação nos EUA, dificilmente teremos uma alta sustentável.

O gráfico abaixo da empresa de análise Glassnode mostra o número de moedas que movimentaram recentemente caindo de um pico de 5,1 milhões para atuais 3,2 milhões.

Ou seja, os dados mostram que a quantidade de Bitcoin disponível para negociação vem decrescendo.

Em resumo, enquanto alguns vendem no desespero, Holders aproveitam para aumentar a posição.

Outro dado que corrobora a acumulação é o número de Bitcoins nos endereços de mineradores. São 900 novas moedas que entram todo dia no mercado, com um valor de mercado de 40,5 milhões de dólares.

Quando esses mineradores estão otimistas, acumulando ao invés de vender regularmente, reduz significativamente a pressão vendedora, e isso ajuda na tendência de alta. É justamente esse dado que a Glassnode evidencia acima, o saldo de moedas nas mãos de mineradores.

Por esses motivos, há uma forte indicação de que boas notícias, ou até mesmo a entrada de novos investidores, poderá levar o Bitcoin para cima de 100 mil dólares nos próximos meses, conforme o modelo S2F indica.