Após atingir a marca de US$ 4.025 em 3 de setembro, a criptomoeda Ethereum (ETH) recuou acompanhando uma correção generalizada no mercado, e uma semana depois gira em torno de US$ 3.320.

A alta de 360% em 2021 até 10 de setembro levou a segunda maior criptomoeda a atingir capitalização de mercado de US$ 400 bilhões. Este número é encontrado multiplicando os 117,5 milhões de moedas em circulação pelo valor unitário negociado nas exchanges (corretoras).

Com isso, a criptomoeda ultrapassa empresas consagradas como Procter & Gamble, Mastercard, e Bank of America. Será que o projeto lançado por Vitalik Buterin em julho de 2015 vale isso tudo?
Quem compete com a Ethereum (ETH)?

No início, a criptomoeda surfou sozinha a onda dos smart contrats, os contratos programáveis de auto-execução, e tokens, os ativos digitais que utilizam a rede Ethereum para armazenar informações.

O boom inicial ocorreu com as ofertas públicas de criptativos (ICO) em 2017. A concorrência levou um tempo para entregar as promessas, porém EOS, Cardano, Solana, Binance Smart Chain, e Polkadot cresceram muito nos últimos meses.

Embora a Ethereum ainda domine as plataformas de empréstimo (DeFi) e de tokens não-intercambiáveis (NFT), o alto custo das transações na rede tem limitado seu potencial. Em contrapartida, alguns competidores oferecem transações com um custo infinitamente menor, em troca de maior centralização.

A competição derrubou a cotação do ETH?

Não. A queda neste início de setembro não aparenta ter relação com o crescimento da competição. Ao contrário, o US$ 4.025 de 3 de setembro ficou apenas 8% abaixo da histórica em dólar que ocorreu em 12 de maio.

O valor depositado nos smart contracts mostra que a Ethereum representa cerca de 80% deste mercado. Cabe lembrar que nas aplicações de empréstimo, não há necessidade de um alto número de transações, por esse motivo os usuários “aceitam” tarifas de transação mais altas na rede.

Entretanto, quando falamos de exchanges descentralizadas (DEX), a rede Binance Smart Chain já ultrapassa os 30% de volume. Isso ocorre por conta de suas taxas mais baixas de transação.

Quanto vale ETH após a recente queda?

Na cotação atual de US$ 3.320, seu valor de mercado é de US$ 390 bilhões. Para efeito de comparação, a gigante varejista Walmart negocia por um valor de US$ 408 bilhões. Logo abaixo temos Louis Vuitton, United Health, Home Depot, Procter & Gamble, Nestlé, e Mastercard.

Entretanto, quando falamos de exchanges descentralizadas (DEX), a rede Binance Smart Chain já ultrapassa os 30% de volume. Isso ocorre por conta de suas taxas mais baixas de transação.

A operadora de planos de saúde United Health apresentou lucro de US$14,5 bilhões nos últimos 12 meses. A multinacional P&G outros US$ 14,3 bilhões, e Mastercard outros US$ 7,2 bilhões. Ah! Bank of America lucrou incríveis US$ 27,6 bilhões. Em 7 anos, o valor é suficiente para comprar 50% do ETH em circulação.

Enquanto as ações apresentam certa previsibilidade de retorno, as criptomoedas vencem pela possibilidade de auto-custódia e regras mais rígidas de emissão.

Ethereum remunera seus detentores?

Não. No modelo atual, a valorização da criptomoeda ocorre pela livre oferta e demanda do mercado. No entanto, como o ETH é necessário para transacionar na rede Ethereum, quem deseja interagir através de smart contracts e aplicações descentralizadas, precisa comprar ETH.

Isso tudo irá mudar com o upgrade ETH 2.0, ainda sem data definida. Recentemente foi implementado um mecanismo de burn (queima) das taxas de transação, reduzindo sensivelmente a inflação equivalente da moeda.

Em suma, da forma que se encontra hoje, a valorização do Ethereum depende basicamente do crescimento na utilização da rede, que por sua vez está na capacidade máxima.

ETH 2.0 pode atingir US$ 1 trilhão?

Sim, se as melhorias prometidas para a versão 2.0 forem entregues, a cotação pode ultrapassar os US$ 10.000 dólares. Deste modo, sua capitalização de mercado passaria para US$ 1,2 trilhão.

No novo modelo, a comparação com o mercado acionário passa a fazer ainda menos sentido, pois Ethereum passa a ser deflacionária. Resta saber se as melhorias vão ser entregues, ou se a concorrência consegue resolver as ineficiências e roubar mercado.

Uma das principais características dessas aplicações descentralizadas é o código-fonte aberto, permitindo a interoperabilidade com outras redes, ou até mesmo cópias de projetos de sucesso.

Por esse motivo, é muito perigoso fazer projeções mais otimistas, visto que a migração para a rede 2.0 será lenta e requer mudanças por cada um dos desenvolvedores de aplicações descentralizadas.