O primeiro ETF de Bitcoin dos Estados Unidos, o ProShares Bitcoin Strategy (BITO.US), começou a ser negociado em 19 de outubro de 2021. Este instrumento é um fundo negociado em bolsa de valores, lastreado em contratos futuros de Bitcoin, portanto não investe diretamente no ativo.

O ETF é entendido pela regulação como uma ação de empresa, portanto mesmo fundos de investimento conservadores, como os de aposentadoria e multimercado sem alavancagem, ganham um ativo com exposição ao preço do Bitcoin sem risco de contraparte.

Justamente por ampliar o público potencial desta criptomoeda, seu anúncio era muito aguardado, e a expectativa de alta na cotação, enorme. Com isso, a cotação do Bitcoin atingiu máxima histórica de US$ 66 mil em 20 de outubro, porém nos 2 dias seguintes, acumulou queda de 10%, testando os US$ 60 mil.

Por que então a decepção, ou aparente indiferença, se a notícia é positiva?

ETF ultrapassa 1 bilhão de dólares

O ETF ProShares ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão sob gestão em apenas dois dias. O recordista anterior era o ETF de ouro (GLD.US), que havia cruzado essa marca três dias após o seu lançamento, em 2004.

O ETF de Bitcoin da bolsa de Toronto, o primeiro da América do Norte, levou dois meses para atingir essa marca. Já a QR Asset, responsável pelo QBTC11 no Brasil, atingiu a marca de R$ 1 bilhão em outubro, 18 meses após seu lançamento.

J.P. Morgan cita Bitcoin como proteção da inflação

O banco J.P. Morgan atribuiu em um relatório recente a alta do Bitcoin exclusivamente a projeções de inflação mais altas e com maior duração. Para o banco, desde setembro é possível ver uma tendência dos investidores saindo dos ETFs de ouro, enquanto mais capital é alocado em fundos relacionados ao Bitcoin.

Avanço da Lightning Network

No último ano, a camada secundária do Bitcoin, que possibilita transações instantâneas e sem custo, teve um aumento de 190% no número de moedas depositadas nesta solução.

Conhecida como Lightning Network, a rede funciona de forma paralela à camada principal do Bitcoin, portanto o usuário só paga as taxas de rede ao ingressar ou sair da camada secundária.

Esta camada secundária do Bitcoin já encontra-se em funcionamento, embora o foco seja em transações menores, deixando para a camada principal movimentações maiores, que necessitem de mais segurança nas confirmações.

A queda do Bitcoin no lançamento das ações da Coinbase

A semana do lançamento das ações da Coinbase na bolsa de valores Nasdaq, marcou a última alta histórica do Bitcoin em U$ 64.850. No mês seguinte a cotação da criptomoeda desabou 54%, atingindo os U$ 30.000.

Isso gerou um temor de que o lançamento do ETF ProShares tivesse um efeito semelhante, pois o mercado tende a antecipar estes grandes acontecimentos, e acaba realizando no fato.

Fundamentos e escassez seguem intactos

O número de Bitcoins depositados nas corretoras (exchanges) atingiu seu menor valor em 3 anos, conforme o gráfico abaixo. Isso significa que existem poucas moedas disponíveis para negociação, enquanto a demanda de investidores institucionais está crescendo.

Por que o Bitcoin caiu?

 

Além disso, a capacidade de processamento dos mineradores da rede Bitcoin se recuperou desde o banimento da China. A adoção do Bitcoin segue em ritmo crescente, inclusive nas pequenas transações através da Lightning Network, conforme nos mostra o exemplo de El Salvador.
Desde que o país adotou o Bitcoin como segunda moeda oficial, o número de usuários por lá superou 2,5 milhões em menos de 50 dias.

Inflação recorde nos EUA e Europa

As instituições estão voltando sua atenção ao Bitcoin como proteção, pois as expectativas da inflação estão em alta tanto na Europa como nos Estados Unidos. Na Zona do Euro, a inflação de 12 meses atingiu 3,4%, maior valor em 13 anos. As estimativas de mercado para 2022 já superam os 4,5%.
Enquanto isso, nos Estados Unidos a inflação superou os 5% pela primeira vez em 13 anos.

No entanto, a Secretaria do Tesouro, Janet Yellen, afirma que o governo não está perdendo o controle, embora não tenha sinalizado quando irá aumentar juros e reduzir as recompras de título, ou seja, medidas expansionistas que causam inflação.

Tudo indica que a queda de 10% no Bitcoin é um leve ajuste técnico, portanto, segundo o próprio J.P. Morgan, enquanto o cenário de inflação persistir, o movimento de alta da criptomoeda deve ser retomado.