As duas próximas semanas podem ser decisivas para o Bitcoin e as criptomoedas. Isso porque a Securities & Exchange Commission (SEC), agente regulador dos mercados de capitais nos EUA, pode aprovar o fundo listado em bolsa de Bitcoin, conhecido como ETF.

O produto não é novidade no resto do mundo, pois já existe no Canadá desde fevereiro, e no Brasil desde abril. A vantagem do ETF para um fundo convencional é a conversibilidade, ou seja, seu detentor pode solicitar o resgate em Bitcoins de verdade.

Vamos entender a importância do ETF, e como isso pode mudar o jogo da criptomoeda que existe há 12 anos, mas que somente agora está ganhando espaço nos mercados tradicionais.

O que é ETF?

● ETF é um fundo de investimentos tradicional cujas cotas são negociadas em bolsa de valores.

● Qualquer investidor pode comprar ou vender sua participação, obtendo o valor de mercado do momento.

● No fundo não-listado, ao vender, o investidor é obrigado a aguardar a cotização, que nem sempre ocorre no mesmo dia.

● No ETF, caso o preço negociado dessas cotas esteja abaixo do valor justo, seu detentor pode solicitar resgate dos respectivos ativos contidos no fundo.

Existem ETFs de ouro, índice S&P500, Títulos do Tesouro, ações de empresas chinesas, petróleo, dívida imobiliária, entre outros. O Ishares Bovespa (BOVA11), por exemplo, segue a carteira teórica do Ibovespa.

Por que optar pelo ETF?

A principal vantagem é o acesso a ativos nos quais o investidor não poderia aportar diretamente. Um fundo de investimento, por questões regulatórias, dificilmente pode comprar ouro físico ou imóveis, por exemplo.

Existem fundos que não podem investir diretamente no exterior, e o ETF dá acesso a mercados internacionais. Por último, temos a questão da cesta de ativos rebalanceada automaticamente.

Comprando um único ativo, o investidor ganha acesso a centenas de empresas que compõem um índice.

Desse modo, mesmo alguém com apenas R$ 260 consegue comprar uma pequena fatia de todos os 500 ativos que compõem o índice S&P500 dos EUA.

Em resumo, existem diversas classes de fundos e gestoras que só podem investir em instrumentos listados em bolsa, portanto o ETF expande o mercado potencial.

Por que existem críticos ao ETF do Bitcoin?

Apesar de ampliar o acesso ao Bitcoin por investidores que antes não dispunham de veículos para tal, na prática, tudo que seu detentor possui é a cota de um fundo. Por isso, seus críticos dizem que o ETF de Bitcoin perde as qualidades fundamentais da criptomoeda:

● Transparência: no Bitcoin físico, é possível ver a todo momento quantas moedas existem em circulação, enquanto o ETF é dependente de auditores e intermediários para acessar essa informação.

● Auto-custódia: a posse (guarda) dos Bitcoins contidos no ETF fica por conta de empresas contratadas pelo administrador do fundo; o detentor das cotas não tem como buscar sua própria segurança.

● Come-cotas: por se tratar de um fundo de investimentos, existe uma tributação específica do segmento, que não se aplica para quem compra Bitcoin diretamente.

● Taxas: existem taxas de administração e de custódia cobradas anualmente, que embora pequenas, não existam no investimento direto em Bitcoin.

Quando será votado o ETF? Qual o impacto no Bitcoin?

Primeiramente, é preciso lembrar que o primeiro pedido de registro de ETF ocorreu em meados de 2013, pelos gêmeos Winklevoss do Facebook. Nesses 8 anos inúmeras tentativas foram frustradas pelos reguladores.

No entanto, o presidente da SEC, Gary Gensler, sinalizou em agosto disposição para aprovar instrumentos com exposição indireta em Bitcoin, seja através do mercado futuro CME de Chicago, ou comprando cotas de outros fundos de investimento com posições em Bitcoin.

Abaixo temos as datas para análise do regulador SEC, embora extensões de prazo possam ser solicitadas:

Outro ponto que trouxe mais confiança aos investidores na aprovação desses pedidos foi o cancelamento quase imediato da solicitação de registro dos ETFs de Ethereum, outra criptomoeda.

A principal suspeita é que o próprio regulador sinalizou o foco no instrumento de Bitcoin, solicitando que os demais desistissem para não sobrecarregar o departamento.

Enfim, não há nada certo, porém uma eventual aprovação abre o mercado de Bitcoin, mesmo que de forma indireta, para uma classe de investidores com mais de 1 trilhão de dólares.