A criptomoeda passa por seu primeiro grande teste, e alguns investidores já apostam na tese de “ouro digital”. Para muitos, o Bitcoin é um investimento de pura aventura, enquanto outros o consideram uma “reserva de valor”, ou seja, um investimento de baixo risco.

De fato, a criptomoeda criada há 12 anos vem brigando por espaço dentre a carteira de investimento de pessoas, fundos e empresas. Entretanto, não há clareza de como o ativo irá se comportar em cenários de guerras e crises.

As recentes crises globais, incluindo a tensão no Afeganistão, hiperinflação na Venezuela, e a reação dos governos ao coronavírus, colocam à prova a capacidade de proteção financeira do Bitcoin.

Por este motivo, cabe analisar como se deu a performance da moeda digital ao longo dos últimos eventos impactantes.

Gastos governamentais e inflação

Sem dúvidas, o movimento expansionista dos Bancos Centrais ao redor do mundo, independentemente da justificativa, elevaram a dívida pública para níveis jamais vistos.

Ao baixar a taxa de juros de maneira excessiva e acelerar as compras de ativos por parte dos Bancos Centrais, os EUA, União Europeia e Japão injetam mais de 10 trilhões de dólares nas economias, equivalente a 7 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Tal movimento pode trazer resultados positivos de curto-prazo nas economias, mas no longo-prazo o efeito é a inflação. Nós, brasileiros, temos uma memória mais recente do estrago que tais medidas expansionistas podem causar, no entanto, isso seria novidade para a maior parte das grandes economias.

Bitcoin e a inflação

Toda moeda sofre flutuações com a economia, porém, no final, o Bitcoin ganha poder de compra frente às demais. Enquanto o Banco Central pode “criar” dinheiro, o Bitcoin possui um limite de 21 milhões de unidades.

Por ser um ativo limitado, chamamos a criptomoeda de “anti-inflacionária”. Isso significa que seu poder de compra aumenta com o passar do tempo – o oposto do que acontece com as moedas estatais.

Bitcoin e o coronavírus

A dificuldade da retomada das atividades econômicas foi comprometida com a atuação desastrosa dos governos após a crise causada pelo Coronavírus.

Neste cenário de incertezas o Bitcoin atingiu seu recorde ao ultrapassar os R$ 360 mil em 13 de abril de 2021. Mais de 18 meses após o início da crise, a recuperação econômica segue aquém do esperado. Diante disso, os governos são forçados a reduzir os estímulos para limitar a alta da inflação.

Em suma, cria-se um cenário positivo para ativos escassos como o Bitcoin. Outros exemplos incluem os imóveis, atingindo sua maior cotação na história, além da própria bolsa de valores nos EUA, medida pelo índice S&P500.

Variação do Bitcoin com as guerras anteriores

3/Jan/2020: Assassinato de Qasem Soleimani, major iraniano. Alta de 10% em 7 dias, e ganho de 26% após 30 dias.

25/Jan/2020: Conflito na fronteira entre China e Índia. Alta de 9% em 7 dias, e ganho de 13% após 30 dias.

25/Dez/2020: Retaliação de Israel na Síria. Valorização de 22% após 7 dias, e alta de +35% depois de 30 dias.

25/Fev/2021: Ataque aéreo dos Estados Unidos na Síria. Alta de 6% depois de 7 dias, e valorização 21% após 30 dias.

15/Ago/2021: Queda de Cabul, capital do Afeganistão. Valorização de 4% em 5 dias.

Bitcoin como “reserva de valor”

Um ativo com função de “reserva de valor” deve manter seu poder de compra durante crises. Historicamente, o ouro tem se provado um investimento seguro, pois existe uma quantidade finita que pode ser extraída do metal precioso.

De maneira análoga, há uma quantidade limitada de Bitcoin que pode ser criada por ano, que por sinal, é reduzida ao longo do tempo, através do processo conhecido como “halving”.

O Bitcoin é o primeiro ativo a replicar o conceito de escassez em um ambiente totalmente digital, portanto atraiu importantes investidores do mercado tradicional.

Dentre eles, podemos citar Bill Miller, proeminente economista e ex-diretor de investimentos da gigante Legg Mason Capital Management.

Existe relação entre guerras civis e o preço do Bitcoin?

Ao contrário do ouro, as criptomoedas estão sofrendo sua primeira “prova de fogo”. Entretanto, especialistas seguem otimistas com o potencial do Bitcoin como “reserva de valor” e seu impacto na diversificação da carteira.

Abaixo vemos a curva de adoção do Bitcoin, sinalizando questão de tempo para sua adoção em escala global. Este movimento tende a diminuir a volatilidade, ou variação brusca da cotação, fortalecendo a tese de “reserva de valor”.

curva bitcoin

Desse modo, é correto afirmar que o ouro e demais ativos escassos tendem a se valorizar quando há problemas globais, portanto, o mesmo pode acontecer com o Bitcoin.

O Bitcoin é uma alternativa melhor e mais segura que o ouro, e isso é visível pelo rápido crescimento em sua adoção, que atingiu níveis de nações, como no caso de El Salvador.

Portanto, investir em Bitcoin poderá ser fundamental para quem deseja se proteger de guerras e cenários sócio-econômicos caóticos.