Antes da pandemia do coronavírus, estaríamos debatendo nesta época do ano apenas regras de conduta a serem observadas nas festas coorporativas e suas implicações para quem ultrapassa os limites. Nada mais.

A pandemia regride, com sinais de controle, mas continua e rapidamente pode voltar a subir, o que faz necessário refletir se vale confraternizar de forma presencial.

O distanciamento de quase dois anos de pandemia sugere que a festa corporativa de fim de ano seja uma ótima oportunidade para rever colegas e amigos de trabalho, estreitar laços e criar oportunidades para evoluir na carreira. Mas é oportuno reunir pessoas com o coronavírus e suas mutações ativamente em movimento?

As decisões da empresa de realizar uma festa de final de ano e de outro lado, dos colaboradores de participarem, exigem alguns cuidados para não colocar tudo a perder: a empresa possibilitando um ambiente com possível transmissão do coronavírus e os colaboradores se prejudicarem com o excesso de exposição.

A empresa pode, embora não seja comum, estabelecer norma de comportamento para a festa que promove para seus colaboradores. A falta de norma não significa que a festa será uma “terra sem dono”, pelo contrário. A empresa pode punir os colaboradores que se comportam mal, com possíveis penalidades que vão desde uma advertência verbal até demissão por justa causa.

Na ausência de norma específica, embora seja conveniente informar, entendemos que a regra é o bom senso: em se controlar, em beber, em confraternizar, em se socializar, em se vestir, em conversar, em não assediar, em não tocar, em não ser inconveniente etc.

A existência de norma interna de comportamento, mesmo que não seja específica para festa de fim de ano, também pode ser aplicável, como por exemplo eventual restrição de relacionamento entre colaboradores. A festa de final de ano pode não ser o momento ideal para iniciar um relacionamento.

E a Covid-19? Podemos fazer festa de final de ano? Entendemos que a resposta correta seja outra pergunta: precisamos fazer a festa?

O final de 2020 e outras datas festivas de 2021 já demonstraram que as festas virtuais têm se consagrado bastante durante a pandemia, pois aproximam os colaboradores, com uma vasta variedade de alternativas: happy hours, festas temáticas, shows, “lives”, jogos etc.

Sim, as festas virtuais se consagraram, mas a empresa pretende fazer a festa presencial. É possível, mas será fundamental que sejam respeitadas e fiscalizadas todas as medidas sanitárias vigentes e atualizadas no dia da festa, como: distanciamento, utilização de máscara, evitar aglomeração, medidor de temperatura e, de extrema importância, a exigência de vacinação completa e a realização de exame PCR.

E, mesmo com todas essas medidas e controles sanitários, a empresa pode ser juridicamente responsabilizada por eventual contaminação e suas consequências nos coladores participantes. Com isso, vale a reflexão: Precisamos fazer festa presencial de final de ano?