Já parou para pensar por que investimentos em previdência privada são considerados ruins pelos brasileiros? Sabe como a visão dos bancos e corretoras ajudou a construir esse tabu e por que é importante que os brasileiros mudem o mindset para começar a investir em fundos com mais rentabilidade?

O assunto Previdência no Brasil, em geral, sempre foi um tabu. Muito disso é reflexo das discussões sobre possíveis reformas futuras e a sustentabilidade (ou não) da estrutura previdenciária vigente.

O modelo atual funciona da seguinte maneira: a contribuição de hoje financia o pagamento de quem já se aposentou. Se você quiser se aposentar pelo INSS no futuro, seu pagamento dependerá diretamente das contribuições das pessoas que estiverem ativas no mercado de trabalho e contribuindo naquele momento futuro.

Dado o cenário político-econômico brasileiro, que se mostra instável, algumas mudanças podem representar grandes impactos que dificultam a aposentadoria pública. Por isso, para ter uma aposentadoria confortável, é necessário buscar alternativas para sua renda futura. É aí que entra a famigerada previdência privada.

Historicamente, este tema é considerado uma verdadeira “caixa preta” dominada pelos grandes bancos. Isso porque, até 2015, a forma como este produto era comercializado, além de ser pouco atrativa, gerou e ainda gera preconceitos sobre o tema.

Taxas de carregamento e de administração abusivas, poucas opções de produtos, empresas que ofertavam fundos somente sob sua gestão (um claro conflito de interesse)… a lista não para por aí. São algumas dessas características que tornavam a previdência privada pouco atrativa.

Finalmente, após anos de prejuízo para os investidores, a partir de 2015 houve uma transformação da indústria de previdência no Brasil: as gestoras independentes criaram seus próprios fundos, com maior retorno e menos custos, e elevaram a barra. Alguns players se mexeram e reduziram (ou até zeraram) suas taxas de carregamento, adequaram as taxas de administração por perfil de fundo e ampliaram o portfólio de produtos e fundos.

Algumas mudanças de legislação também tornaram estes fundos mais atrativos, o que nos coloca em um cenário diferente. Uma grande evolução foi a implantação da portabilidade, em 2015, tornando o mercado mais competitivo e com melhores condições.

A portabilidade permite que o investidor possa migrar facilmente de um plano que está rendendo pouco para um produto melhor. Isso incomodou alguns players que se viram obrigados a rever suas taxas e condições contratuais. Com isso, o mercado ganha, pois passa a ter opções melhores disponíveis para quem quer investir em previdência privada e garantir um futuro tranquilo.

Uma outra mudança foi a popularização dos Fundos de Fundos ou FOFs, categoria de investimento que aplicam seus recursos em outros fundos, com o objetivo de diversificar seus ativos (Renda Fixa, Multimercados ou Renda Variável).

A previdência de hoje não é nada parecida com o que já foi no passado. Dadas todas as mudanças citadas, ela representa um instrumento muito eficiente de investimento no longo prazo e a melhor forma de garantir seus planos futuros e uma aposentadoria tranquila. Alguns fundos são excelentes, as taxas são bem baixas, oferecem diferimento fiscal, plano sucessório, entre outras vantagens. Ganham de longe dos modelos tradicionais ultrapassados, que chegam a cobrar 2% de taxa e rendem 70% do CDI.

Além disso, a tecnologia pode potencializar os resultados e dar acesso a investimentos sofisticados. O melhor modelo é aquele em que predomina a transparência, com taxa única – diferente de bancos e corretoras –  e rebalanceamento automático dos investimentos.

Se você ainda está em algum plano ultrapassado, temos uma boa notícia: é possível fazer a portabilidade de maneira fácil e em alguns passos, atualizando a forma de investir e aproveitando todos os benefícios que a previdência privada pode oferecer, usando o presente para pensar no futuro.