Responda rapidamente! Você se considera uma pessoa boa? Você se considera uma pessoa empática? Você se considera uma pessoa inclusiva? Quer uma sociedade e um país melhor para todos? E em relação ao mundo, acredita que as pessoas em geral são boas? Acredita que as pessoas são empáticas? Acredita que as pessoas em geral são inclusivas?

Sempre me questiono sobre isso, se eu sou uma pessoa boa, e também se a maioria das pessoas que conheço são boas, se elas se consideram seres humanos conscientes, inclusivos, empáticos em geral. Por que então vivemos em um mundo com tanta desigualdade no qual parece haver tanta dor e ódio coletivos?

Das duas opções, uma é a correta. Ou não somos tão bons como nos autoavaliamos ou há um pequeno grupo de pessoas que não pactuam com valores humanos universais, e que inclusive têm tido muito poder de influência e poder para impactar e forjar uma sociedade insegura, perigosa e violenta para a maioria.

Como eu gosto muito do caminho da autorresponsabilização, prefiro trabalhar aqui com a perspectiva de que não somos pessoas tão boas como nos autoavaliamos. E que, em pequenos deslizes cotidianos, acabamos por reproduzir e endossar uma sociedade machista, racista, LGBTfóbica, capacitista, entre outras manifestações de preconceito e discriminação. Uma sociedade na qual o meio ambiente e recursos naturais estão se esgotando.

E juro, não estou falando isso por pessimismo deliberado, na verdade estou falando por otimismo. Acredito que ao tomarmos consciência das nossas pequenas ações e das escolhas que fazemos cotidianamente, que são mais egoístas do que empáticas, mais respaldadas por pensamentos de escassez do que de abundância, mais deliberadamente conectadas a dor do que ao amor, podemos a partir dessa consciência decidir sermos pessoas melhores.

Se cada um de nós, ao fazer escolhas, pensar: “Como chego a melhor decisão para mim, mas que também certamente seja boa para o coletivo?” ou “Onde terminam os meus direitos e começam os das outras pessoas, pois afinal, sim, todas as pessoas têm direitos?”. “Onde eu preciso me esforçar mais para contribuir com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária?”. “Nesse caminho eu perco, mas a coletividade, a humanidade ganha?”. “As ações que eu tive hoje com familiares, amigos e colegas de trabalho eram pautadas em carinho e positividade ou em violência psicológica?”. Se for assim, certamente construiremos uma sociedade melhor.

A frase do título é de Arun Manilal Gandhi, presidente fundador e patrono do M.K. Gandhi Institute For Nonviolence (Instituto Gandhi para a Não Violência), parafraseando seu avô, Mahatma Gandhi. Ele nos lembra que a violência passiva, aquela reproduzida por nós a cada dia, alimenta a violência física, aqueles grandes momentos de conflitos, nos quais pessoas são agredidas, atacadas, mortas. E reforça que, infelizmente, “estamos todos esperando que o outro mude primeiro”.

Enfim, nesse 7 de Setembro, quase todos nós brasileiros, que estão buscando se tornar seres humanos melhores, sentimos medo, angústia e preocupação, e vimos a violência ter palco, na voz do principal líder político do país, Bolsonaro. Mas se lembrarmos que cada um de nós, mais de 200 milhões de brasileiros, podemos escolher a cada dia se vamos optar em ser um caminho de guerra ou de paz, veremos – como sempre esteve – que o Brasil está em nossas mãos.