Um dos nossos maiores desafios ao falarmos de diversidade e inclusão é, por vezes, levar temas complexos de forma simplificada e compreensível para a maior parcela da população possível.

O assunto não pode parecer um tema exclusivo dos acadêmicos, nem dos movimentos sociais militantes, muito menos das empresas. Todo mundo precisa entender do que estamos falando e porque estamos falando sobre isso.

Assim, outro dia perguntei para a minha mãe se ela tinha alguma dúvida sobre o tema de diversidade e inclusão, ao que ela respondeu: “Aquele monte de siglas lá para falar de sexualidade?”.

Veja, minha mãe tem graduação, é uma mulher antenada, empática, mas deixou claro para mim que, há alguns anos, eram bem menos siglas e, “de repente”, elas foram aumentando sem que as pessoas que não fazem parte dos públicos LGBTQPIA+ pudessem acompanhar e entender tais mudanças.

Bem, a primeira explicação que dei à minha mãe é que a sigla LGBTQPIA+ fala sobre diversas questões:

Sexo biológico do nascimento: Quando nascemos, os médicos(as), com base nos órgãos genitais, hormônios e afins, indicam o sexo biológico do nascimento como sendo masculino ou feminino, homem ou mulher.

Orientação sexual: Por quem nos sentimos sexual e afetivamente atraídos? Gostamos de mulheres? Gostamos de homens? Gostamos de ambos? Se é homem e gosta de mulher ou se é mulher e gosta de homem é heterossexual. Se é homem e gosta de homem ou mulher e gosta de mulher é homossexual, também conhecidos como gay e lésbica. Se gosta de ambos é bissexual.

Identidade de Gênero: Um tema que, apesar de fazer parte da história da humanidade há muito tempo, tem ganhado mais espaço na agenda pública, nas conversas e no debate só recentemente. Expliquei para a minha mãe, apontando com a minha mão para a minha cabeça, e disse que aqui trata-se da identidade que cada um de nós tem, isto é, como nos vemos e nos percebemos! Quem somos? Nos percebemos como homens ou como mulheres? Na sequência expliquei a correlação entre essa identidade e o sexo que foi designado no nascimento. Explicando que se não nos identificamos com o sexo biológico designado no nascimento, somos transgênero (travestis, transsexuais). E que se nos identificamos, somos cisgênero. Ou seja, o médico ou médica, com base nos hormônios e órgão sexual, disse que o bebê era uma menina ou um menino. Mas não considerou se aquele bebê no futuro, na vida adulta, irá se perceber como homem ou mulher.

Expressão: Reforcei que nossa expressão pode ser externalizada para o mundo das mais variadas formas. Masculina, feminina, nem masculina e nem feminina, masculina e feminina, e tantas outras formas. Falei para ela que entendendo esses quatros aspectos básicos, e compreendendo o gênero como uma construção social, fica mais fácil traduzir daí em diante as siglas LGBTQPIA+, e todas as outras ramificações de orientação sexual e identidade de gênero, conectadas a essa lista.

Portanto, LGB, de lésbicas, gays e bissexuais, refere-se à orientação sexual. T, de transgênero, fala sobre identidade de gênero, travestis, transexuais. Q vem do termo em inglês Queer e diz respeito a pessoas que não se identificam com essa sociedade binária, toda traduzida, construída e compreendida a partir da lógica do masculino e do feminino. P, pansexual, volta a dizer a respeito da orientação sexual, pessoas que se interessam por homens e mulheres, sejam cisgênero ou transgênero.

I diz respeito ao sexo biológico de nascimento. Um indivíduo pode ser masculino, feminino ou intersexual, ou seja, ter os dois sexos. Lembrei ainda a minha mãe de uma palavra que não gosto e não usamos mais atualmente, mas expliquei que, para facilitar o entendimento, no passado, as pessoas equivocadamente chamavam a pessoa intersexual de hermafrodita.

A, de assexuais, novamente fala sobre orientação sexual. Pessoas que em alguma medida, variando entre muitas formas, não sentem interesse na atividade sexual. Ou sentem interesse na atividade sexual, somente quando há uma relação de afetividade, e por aí se vai.

Aproveitei para falar sobre pessoas não binárias, um termo que tem estado em voga, para explicar pessoas que estão também fora do binarismo masculino e feminino. Não se identificam com esses gêneros.

E também para explicar que drag queen não é nenhum desses mencionados acima, mas sim uma categoria performática e artística.

Acho que ajudou ela a entender um pouco melhor e fiquei pensando que gostaria de escrever um artigo, tentando falar em uma linguagem o mais simplificada possível. E que nos ajude a falar com nossos pais, mães, avós e todos aqueles que seguem confusos diante da “sopa de letrinhas” nos ajudando a versar sobre diversidade sexual e sermos cada vez mais inclusivos.