Todo profissional, que não deseja ficar obsoleto muito rapidamente precisa encarar o desafio do half-life. Em português, a meia-vida.

O alerta é importante: Não interessa a experiência que alguém acumulou, o status que conquistou ou o dinheiro que acha que tem. Se não se renovar frequentemente, terá muitas dificuldades para entender e enfrentar o futuro.

Emprestamos este termo half-life da física, onde é utilizado para descrever o tempo que leva para um elemento radioativo perder a metade do seu tamanho ou a metade das suas propriedades.

Imagine-se colocando um limão na sua frente. Então imagine o tempo que levaria para ele murchar até ficar metade do seu tamanho original. Este tempo seria a meia-vida.

Obviamente as condições do ambiente fariam o limão murchar mais rapidamente ou mais lentamente, mas você entendeu a ideia.

Agora, imagine que o limão é o seu conhecimento. Então se pergunte quanto levará para “o que você sabe” valer a metade do que vale agora. Isto é o que chamamos de meia-vida do conhecimento, ou o half-life of knowledge. Neste mundo de aceleradas transformações e mudanças, que cada vez mais descobertas estão acontecendo e mais conhecimento está sendo criado, é coerente entender que a meia-vida do nosso conhecimento está encurtando.

Eu penso nisto todos os dias. Cada dia que acordo me lembro que o que eu sei vale menos que valia ontem. Este é um pensamento estranho, que cria desconforto e é contra-intuitivo para a grande maioria das pessoas, pois fomos ensinados em acumular conhecimento e não renovar o conhecimento. Mas ao invés de criar a ansiedade que eu não sei das coisas, isto alimenta a minha prazerosa curiosidade de querer aprender novas coisas. Ao invés de sofrer pelo que não sabemos, devemos ficar felizes com a quantidade de coisas que ainda não sabemos, mas podemos aprender. Ainda temos muitos problemas com a educação de maneira geral, mas o conhecimento está cada vez mais disponível e acessível a todos.

O antídoto para lidar com os riscos do half-life of knowledge é o lifelong learning combinado com o continuous reskilling. Estas últimas expressões significam aprender a vida inteira e continuamente renovar as nossas habilidades. Além de um aprendizado mais frequente e diverso, precisamos desenvolver habilidades complementares, pois as inovações tecnológicas estão automatizando coisas que antes imaginávamos ser apenas para humanos capacitados. Não são mais, e por isto precisamos nos tornar profissionais mais híbridos.

A empresa Burning Glass fez uma pesquisa onde analisou mais de um bilhão de ofertas de emprego e currículos em mais de um milhão de empresas. Ela identificou que as melhores remunerações e os “empregos do futuro” são mais complexos e multidisciplinares. Ela chamou isto de “empregos híbridos” (hybrid jobs), e acredita que cerca de 12% das vagas abertas se encaixam nesta categoria.

Segundo a pesquisa, os empregos muito repetitivos, tipo checklist e que exigem cognições breves tendem a ser automatizados, mas os hybrid jobs somente podem ser feitos por pessoas.

Então, para que nem um robô nem a inteligência artificial ou qualquer outra coisa ou movimento possam te tornar obsoleto, você preciso cuidar da metade do seu limão.

Então fica a dica: abrace a ideia de lifelong learning e continuous reskilling. Esta forma de pensar é um dos pilares invisíveis da inovação!