A Amazon é, sem dúvida, uma das mais incríveis empresas desta nova economia. Jeff Bezos, o seu fundador, deixou o cargo de CEO no início de 2021 e no e-mail aos seus funcionários ele revela o segredo do sucesso.

Ele escreveu: “Hoje empregamos 1,3 milhão de pessoas talentosas e dedicadas, servimos centenas de milhões de consumidores e empresas, e somos amplamente reconhecidos como uma das empresas de maior sucesso no mundo. Como isto aconteceu? Invenção! Invenção é a raiz do nosso sucesso”. E ao final ele insiste: “Continuem inventando, e não se desesperem se no início a ideia parecer maluca”.

Invent! resume uma visão ousada, provocativa e engajadora pois ela clama por inovação. Por muitos anos este foi o slogan da HP, considerada a primeira startup do mundo, e que defende que a cada década é preciso se “reinventar” completamente.

Há mais de 30 anos eu venho perseguindo este enigma chamado inovação e como consequência não paro de me reinventar. Eu conheci o Vale do Silício antes dos meus 20 anos, e desde então nunca parei de tentar hackear negócios, meu trabalho e meu conhecimento. Aqui na StartSe, nestes últimos anos, venho investigando e apoiando tanto as empresas tradicionais que estão tentando se transformar, como as startups que estão tentando disruptar seus mercados. E nunca a inovação esteve tão presente na minha vida.

Nas empresas e na atividade profissional, de maneira geral, a inovação sempre foi um assunto bacana para antes, ou para o finalzinho, das reuniões. Mas durante as reuniões importantes o foco precisava ser nas “coisas mais sérias e urgentes”. O meu tom irônico, é para lembrarmos que inovação é normalmente associada com as “legalzisses”, aquelas coisas legais de fazer, mas também discricionárias e procrastináveis. Mas agora não é mais. Inovação virou premissa para qualquer profissão ou negócio. E a prova final quem nos trouxe foi a pandemia.

Esta pandemia trouxe, e ainda vai trazer, muitos desafios e aprendizados. De um lado precisamos enfrentar o sentimento de perda e o drama da vida humana, e do outro lado os incertos impactos econômicos. Mas, existe um terceiro aspecto importante: a pandemia está acelerando a inovação.

Eu explico. Nestes anos tentando desvendar a inovação eu acumulei muitas dúvidas, e algumas certezas. Uma certeza, é que um dos maiores causadores de fracassos das inovações, é o simples fato que as pessoas não gostam de mudar seu comportamento. A maioria de nós ainda prefere a certeza de um passado ruim do que a incerteza de mudar para um futuro promissor.

Eu aposto na aceleração da inovação pois a pandemia deu um supetão no comportamento humano. As pessoas foram obrigadas a mudar, e isto está destravando inovações, e criando novas possibilidades.

Navegue comigo:

  • E-Commerce: era uma coisa que já existia e todos conheciam, mas ainda era uma aplicação de nicho de produtos e consumidores, e muitos procrastinavam comprar ou vender nas plataformas.
    • E então, assistimos o E-Commerce no Brasil e no mundo dar um salto; o crescimento esperado para anos aconteceu em semanas.
  • Telemedicina: era motivo de debates acalorados sobre a relação entre médico e paciente, e combatido por diversos especialistas da área da saúde.
    • E então, vimos esta tecnologia conseguindo salvar vidas quando a alternativa anterior se tornou inviável. E agora os pacientes começam a questionar se faz sentido voltar a ser inconveniente como era antes.
  • Home Office: era um pouco constrangedor ficar em casa para trabalhar, ou ter que gerenciar times sem poder “controlar as pessoas de perto”.
    • E então, mesmo com saudades da turma do escritório, as pessoas começaram a inventar maneiras híbridas de fazer o trabalho acontecer de forma mais eficiente.
  • Home Cocooning: a casa que antes era apenas para dormir, agora é um um “casulo” (cocoon), sinônimo de local seguro e aconchegante.
    • E então, vimos uma explosão no consumo de coisas para o lar. E em janeiro de 2021, a startup Madeira Madeira virou um unicórnio (valuation de USD 1 bilhão).
  • Pet Grooming: e a relação emocional, o carinho e os cuidados (grooming), com os animais domésticos se tornou mais intensa.
    • E então, em junho de 2020 vimos a startup PetLove receber um investimento de R$ 125 milhões. E agora em abril, anunciou uma importante aliança na oferta de seguro e saúde para os pets.

O que estes sinais nos alertam?

Para mim, isto reafirma que todos nós precisamos observar estas aceleradas transformações nos mercados com olhar de aprendiz. Independentemente da idade, experiências, especialidades ou setores que investimos, trabalhamos ou empreendemos, nós precisamos nos transformar no ritmo desta Nova Economia acelerada.

Para isto, precisamos ter a mentalidade de Lifelong Learners – aqueles que humildemente aprendem durante toda a vida. Os nossos avós também tiveram que aprender ao logo de suas vidas, mas não na intensidade, frequência e amplitude que nós agora estamos sendo desafiados a aprender. Agora é diferente, então se reinvente.

E fica aqui a minha dica: inovar, ao final, é basicamente aprender o que os outros não aprenderam ainda.

E fica a dica do Jeff Bezos: Invent and Wander!