Poucas expressões têm sido tão discutidas nas empresas como a “cultura”.

Diversas expressões estão muito presentes hoje nos debates estratégicos das empresas, como propósito, inovação, diversidade, sustentabilidade, digitalização, agilidade. Mas “cultura” está entre as mais relevantes. É uma palavra com sentido vago, mas com a força de influenciar uma organização inteira. Para o bem e para o mal.

Um dos mais renomados investidores de risco do Vale do Silício, Mark Andreessen, escreveu um livro sobre este tema chamado “What you do is what you are” (“O que você faz é aquilo que você é”). O livro por si só já é uma provocação sobre a cultura e sobre o comportamento.

Não existe cultura certa ou errada, mas a que atrai pessoas diferentes para a sua empresa – e o que faz outras partirem. Cada vez mais os traços culturais das empresas estão sendo monitorados e avaliados pelo mercado, tanto pelas pessoas que compram seus produtos ou serviços, como pelos que investem e fazem neste negócio com ela.

A Amazon, por exemplo, descreve abertamente seus 14 princípios de liderança. Estes princípios servem de referência para quem quer trabalhar lá, mas também para quem considera investir na empresa.

Na StartSe, tentamos resumir os traços da nossa cultura em cinco sentenças breves:

1. People First – para nunca esquecermos que somos todos seres humanos, e todos merecem respeito.
2. Teamwork Wins – para lembrarmos que craque ganha jogo, mas são times que ganham campeonatos.
3. Walk The Talk – para lembrarmos que fazemos o que falamos, e que ninguém mais tolera hipocrisia.
4. Get Things Done – para lembrarmos que o que importa é fazer, então vamos lá fazer acontecer e não ficar de mimimi ou reclamando de tudo.
5. Always On Beta – para lembrarmos que nunca estamos prontos, completos e perfeitos, mas que estamos sempre uma versão anterior do que seremos amanhã.

Mas por que a cultura recebe tanta atenção neste momento?

As análises são diversas e podem ser bastante complexas, mas eu ouso aqui simplificar para explicar: Como o mundo cada vez inventa e inova mais rápido, o grau de incerteza sobre o futuro tende a aumentar. Logo, as empresas têm menos probabilidade de conseguirem planejar tudo.

A lógica do PCC (Planejamento, Comando e Controle) além de ser ineficaz vai se tornando quase inocência. Portanto, ter um propósito que diz por que existimos e não apenas o que fazemos, e definir os traços de uma cultura a luz deste propósito, certamente ajuda uma organização enfrentar situações que nem ela consegue prever ainda.

O código dos samurais, o Bushido, descreve que devemos ter virtudes, mais que princípios. Princípios são coisas mais associadas ao que defendemos e desejamos ser, e virtudes representam as coisas que realmente somos. Ao final, cultura é a soma dos comportamentos. Se você tem uma cultura e se depara com alguém fazendo algo diferente e não faz nada, então aquilo passou a ser a nova cultura.

Você deseja que sua empresa inove mais?

Então crie uma cultura de confiança entre as pessoas. Ambientes de confiança permitem que as pessoas se sintam mais à vontade para mostrarem suas vulnerabilidades. A vulnerabilidade nutre confiança, que promove a colaboração, que facilita a experimentação, e que resulta em inovação.