Imagine que você se perdeu de um amigo em meio a uma multidão. Você nota que, engraçado, algumas pessoas usam camisetas amarelas, outras vermelhas e outras, pretas, e que apenas eventualmente passa uma pessoa por entre as outras vestindo uma camiseta branca. Olhando assim, todos se parecem muito iguais naquele vai e vem, e você lamenta não ter prestado atenção na cor da roupa que seu amigo vestia para ajudar nesse momento.

O tempo passa e encontrar seu amigo se torna urgente. Você entra na multidão procurando-o e após alguns minutos tensos, opta por deixar de lado o receio e começa a chamá-lo pelo nome, em voz alta. Um tic-tac imaginário começa a soar nos seus ouvidos, com o som crescendo no mesmo ritmo que a sua respiração acelerada.

Um misto de sentimentos lhe toma a alma: você se sente apreensivo (como isso foi acontecer?), curioso (para onde será que ele foi?) e acaba se permitindo sentir certa raiva (como assim, ele sai de perto e não me avisa?), e por fim, você se sente cansado, frustrado e só quer saber de nunca mais aparecer nesse lugar de novo.

Pois é. Bem-vindo aos sentimentos que envolvem a vida financeira de quem não classifica suas despesas pessoais. Tentar organizar um orçamento financeiro sem as técnicas certas pode ser tão frustrante e confuso quanto tentar encontrar esse amigo na multidão. Nas finanças pessoais, mapear as despesas é fundamental para que se entenda quanto de dinheiro tem saído do bolso, ao longo do mês, e quanto “custamos” no total, mas para organizarmos o presente e planejarmos o futuro, precisamos dar um passo além, o que nesse caso, significa classificar as despesas em categorias. O benefício dessa estratégia é inegável: são as categorias que nos dão uma visão macro da nossa vida financeira. Sabemos o quão corrida nossa rotina é e você há de concordar comigo que, se não nos atentarmos, ficamos presos naquela visão curta que envolve o dia a dia.

Mas não sofra. Eu sei que classificar as despesas soa complicado, mas tudo isso pode (e deve) ser simples. Separei aqui algumas dicas valiosas para ajudar você nessa etapa importante do seu planejamento financeiro:

  • Menos é mais. Criar uma categoria só para farmácia, outra para consultas e outra ainda, apenas para os exames médicos, não será efetivo. Nesse caso, detalhar os gastos e acompanhar o controle financeiro tomará tempo e agregará uma complexidade desnecessária ao processo. Vale criar uma única categoria chamada “Saúde” onde entrarão todas as despesas relacionadas ao tema.
  • Esqueça a categoria “outros”: gastos esporádicos ou inesperados são os primeiros a fazerem parte da categoria “outros” no controle financeiro pessoal. É um tremendo erro, assim como também lançar nessa categoria as compras feitas com o cartão de crédito em que o nome da loja citada na fatura não traz nenhuma lembrança. Quando essa categorização começa a ocupar um espaço maior do que o devido (digamos 5% das despesas totais), todo o controle perde a confiabilidade. Melhor criar uma nova categoria de despesas do que lançá-las continuamente em “outros”.
  • Não minta para você mesmo: já vi mentorados chegarem com despesas infladas de supermercado quando, na verdade, haviam compras de roupas e eletroeletrônicos feitos “disfarçadamente” na mesma ocasião (grandes redes de supermercado têm departamentos de vestuário, artigos para casa, papelaria, eletrodomésticos e eletrônicos que podem ser verdadeiras tentações para quem está tentando comprar menos ou organizar seus números). Mascarar as despesas feitas praticando o “auto engano” só atrasará o seu processo de controle financeiro e você será o maior prejudicado, ninguém mais.
  • Simplifique: não há uma metodologia única de classificação de despesas, mas você pode certamente aproveitar uma dessas duas opções:

Método 1:

o Despesas Essenciais: são aqueles que garantem nossa sobrevivência: alimentação, luz, gás, aluguel. Podemos dizer que as despesas essenciais nos proporcionam o mínimo para sobreviver.o Despesas Negociáveis: os 500 canais da TV a cabo, a assinatura de jornais e revistas, a mensalidade da academia e o financiamento do carro ou do imóvel são exemplos de despesas que podem ser negociadas para a frequência de uso ou mesmo serem portadas entre bancos.

o Despesas de luxo ou postergáveis: são as que trazem alguma experiência a mais para a nossa vida e costumam estar relacionadas ao lazer, como por exemplo, cinema, viagens e refeições fora. São despesas que podem ser cortadas sem que isso impacte fortemente nossa vida diária. Sim, um certo desconforto fará parte dessa etapa do processo, mas o resultado positivo vem rápido ao eliminar esse tipo de despesas.

Método 2:

o Despesas Fixas: são aquelas que não se alteram ao longo do mês, mesmo que não usufruamos do serviço ou produto comprado. A mensalidade escolar continuará vindo mesmo que nossa criança fique em casa, indisposta. O boleto do condomínio continuará chegando mesmo que passemos o mês na praia. Aqui podem ser inclusos parcelamentos, aluguel, mensalidades, financiamentos, empréstimos e tudo o mais que se enquadrar nessas características.

o Despesas Variáveis: como o próprio nome diz, são despesas que variam, seja para cima, seja para baixo. A conta do supermercado, apesar de ser uma despesa essencial, pode ser reduzida ao optarmos por marcas mais em conta, ao fazermos um planejamento de consumo que evite desperdícios e ao programarmos fazer compras em dias estratégicos da semana para aproveitar as ofertas do dia.

Nessa categoria podem ser incluídas as despesas com lazer, transporte e alimentação durante o expediente, por exemplo.

Percebeu como o simples, funciona? Não só funciona, como é essa simplicidade que fará com que o processo (e a transformação que ele causará) seja duradouro na sua vida. Papel e caneta na mão serão as melhores ferramentas para você nessa etapa.

Um beijo e vejo você no próximo conteúdo sobre finanças pessoais!