Lembro bem da empolgação que senti quando contratei meu primeiro CDB (Certificado de Depósito Bancário). Eu tinha 25 anos e acatei passivamente a indicação do meu gerente de banco. Em muito pouco tempo eu precisei acessar meus recursos, e, além de abrir mão da rentabilidade, paguei a maior alíquota de Imposto de Renda vigente.

É fácil olhar para trás e mapear os motivos dessa má escolha: faltaram-me educação financeira, planejamento de investimentos e conhecimento básico para uma boa análise do produto. O triste é saber que, mais de 20 anos depois, muitos investidores ainda cometem erros como esses ao aplicar seus recursos.

Entendendo que uma boa carteira de investimentos tem parte importante alocada na renda fixa, e reconhecendo o CDB como um dos principais produtos dessa modalidade, separei algumas orientações para que você escolha o melhor Certificado de Depósito Bancário para seu planejamento de investimentos.

Relembrando

Quando o investidor compra um CDB, ele está emprestando dinheiro para o banco emissor do título. A instituição, nesse caso, pode utilizar os recursos captados para conceder crédito às pessoas físicas que solicitam recursos ou financiar seus próprios projetos de expansão de agências, por exemplo.

O investidor recebe juros da instituição, que pode ser através de uma rentabilidade pós fixada, prefixada ou híbrida. A tributação do CDB inclui a cobrança de IOF até o 29º dia e o IR cobrado segue a tabela regressiva do imposto de renda – e não custa reforçar: a tributação é sempre em cima da rentabilidade e nunca sobre o valor total investido.

Todo Certificado de Depósito Bancário conta com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), uma instituição financeira privada que protege os investidores em caso de quebra do banco participante do fundo em até R$ 250 mil por CPF e conglomerado financeiro, até o limite de 1 milhão de reais a cada quatro anos.

O CDB do bancão é melhor?

Ponto importantíssimo. Quando emprestamos dinheiro para alguém, no mínimo avaliamos a capacidade de pagamento desse empréstimo, não é? Com o CDB é igual.

Ao entrar no site da corretora, o investidor se deparará com uma infinidade de Certificados de Depósitos Bancários – alguns de bancos conhecidos, outros, de bancos dos quais nunca ouvimos falar e que, curiosamente, oferecem remuneração mais atraente aos investidores.

A lógica para os bancos menores remunerarem melhor é simples. Como seu esforço de captação de recursos é muito maior do que pelo qual passam os bancões já conhecidos no mercado, oferecer uma rentabilidade maior é a forma de chamar a atenção de novos investidores.

Já pelo lado dos investidores, estes entendem que emprestar dinheiro para bancos menores e talvez, com uma saúde financeira mais sensível, significa correr mais riscos, portanto, nada mais justo do que receber mais juros. Mas antes do investidor apertar o botão, vale consultar o site do Banco Data, que permite que as pessoas físicas consultem as dívidas, prejuízos e até o resultado do último balanço da instituição.

Liquidez

Liquidez nada mais é do que a facilidade que o investidor tem de acessar os seus recursos investidos. Alguns CDBs têm liquidez diária, ou seja, é possível resgatar os valores quando o investidor desejar. Já outros produtos não oferecem essa opção e têm seu resgate atrelado ao vencimento. Quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, maior costuma ser a remuneração oferecida.

Em relação aos prazos, há vencimentos para todos os gostos e todas essas informações constam nos detalhes do produto.

Pós, Pré ou Híbrido?

Ao contratar um CDB, o investidor tem a opção de escolher como será remunerado através de uma dessas 3 opções:

  • Rentabilidade pós fixada: a rentabilidade acompanha um indicador do mercado, geralmente CDI. Nesse caso, o investidor recebe no vencimento, um percentual do indicador. O investidor encontra, nesse caso, ofertas como “CDB 120% do CDI”.
  • Rentabilidade prefixada: faça chuva, faça sol, o investidor já sabe quanto receberá pelo seu dinheiro aplicado. O grande risco aqui é a inflação acelerar e ultrapassar a rentabilidade do título, portanto, olhos atentos para o prazo. Um “CDB 11% aa” é um bom exemplo de como ele pode aparecer na plataforma de investimentos.
  • Rentabilidade híbrida: uma mistura das duas rentabilidades anteriores. Um “CDB IPCA+5%” combina parte da rentabilidade atrelada ao IPCA (pós fixada) e outra parte prefixada, nesse caso, 5%. Esses CDBs costumam ser uma boa estratégia para o longo prazo.

Todo investimento carrega riscos – alguns mais, outros menos, e nada prepara mais o investidor para enfrentá-los do que o conhecimento. Agora, é partir para a ação.

Bons investimentos!