Uma continha atrasada aqui, uma parcelinha a mais ali, uma despesa inesperada com o carro… E quando se vê, as finanças estão no vermelho. Sim, pode ser tão simples assim e não, sair dessa situação nem sempre é fácil.

Nessa hora, é preciso agir rápido. Quem acaba se endividando e demora a tomar uma decisão, vê essas dívidas crescerem rapidamente e não raro, acaba tendo de se desfazer de algum bem para conseguir resolver as pendências. Para que você não precise nunca chegar nesse ponto, separei a seguir o caminho mais rápido para ajudar você a sair das dívidas e o melhor, nunca mais entrar nelas.

Passo 1: Entendendo o porquê

Esse é o passo mais importante, apesar de o mais subestimado. Sem um porquê mapeado, a solução terá uma vida muito curta, já que o devedor estará mirando no sintoma, e não na causa.

Se as dívidas são referentes às contas essenciais presentes em um orçamento doméstico, como água, luz, condomínio e supermercado, muito provavelmente o padrão de vida e consumo estão além do que as finanças suportam.

Já, se as dívidas foram causadas por imprevistos, constituir uma Reserva Financeira deve ser o foco #1 assim que a situação for controlada. E por fim, se as dívidas foram causadas por uma eventual falta de controle na hora de comprar, chegou a hora de encarar suas finanças e criar consciência financeira; dinheiro é um bem finito e precisamos saber fazer escolhas com ele.

Passo 2: Mapeando as dívidas

Entendido o motivo pelo qual as finanças entraram no vermelho, chegou a hora de reunir, em um único documento, todas as dívidas pendentes.

Não é necessário nada muito elaborado. Uma relação em que conste o nome da dívida, valor total, valor da parcela, valor dos juros e valor para quitação costuma ser o suficiente. Ao final de cada dívida, vale classificá-la como “prioritária” ou “postergável”.

As dívidas prioritárias geralmente carregam riscos que envolvem o patrimônio – casa ou carro, por exemplo. Nesta classificação de dívidas também podem entrar todas aquelas que colocam o nome do devedor nos órgãos de proteção ao crédito.

As dívidas postergáveis são aquelas que, apesar de importantes, podem ser adiadas. O seu não pagamento imediato não coloca os bens do devedor em risco e nem sempre comprometem o nome do devedor. Em geral, as dívidas postergáveis permitem negociações futuras com mais prazo para pagamento e diminuição dos juros cobrados.

Passo 3 : Negociando com as instituições

Etapa fundamental para sair do vermelho! Uma das melhores opções para o bolso do devedor é esperar (se possível) pelos feirões negociação de dívidas, organizados com frequência por diversas instituições financeiras e bancos.

Caso não seja possível esperar pelos feirões, vale analisar a troca da dívida atual por outra mais barata. Há empresas de crédito especializadas em levantar valores para quitação de dívidas, e se o devedor optar por essa solução, é essencial ter em mãos o levantamento feito no passo #2, assim sabe-se exatamente o valor a ser solicitado para quitação das dívidas atuais. O ponto mais importante nesse caso é conhecer o CET – Custo Efetivo Total do contrato.

Passo 4: Reiniciando e definindo limites

Para nunca mais passar pelo sufoco de entrar no vermelho, é preciso ter conhecimento dos seus números. Saber o valor exato das receitas mensais (tchau salário bruto e alô salário líquido), o valor total das despesas mensais e para onde está indo o dinheiro ao longo do mês são informações essenciais para um bom controle financeiro.

O simples, nesse caso, funciona: uma planilha amigável, um caderno antigo ou um app costuma ser o suficiente nessa etapa. Depois de feito o controle financeiro inicial, é hora de estabelecer limites de gastos por tipo de despesa.

Um bom começo para definir limites de despesas é usar a regrinha 50 – 30 – 20. Essa regra ajuda principalmente quem não sabe por onde começar a dividir o seu orçamento. Simplificando, a receita mensal pode ser dividida da seguinte forma:

  • 50% do orçamento deve ir para despesas fixas, que são aquelas que têm seu valor fixo mensalmente, como aluguel, condomínio e mensalidades escolares;
  • 30% do orçamento deve ser destinado para as despesas variáveis, que como o próprio nome diz, são as despesas que sofrem variação de acordo com o uso, como lazer, alimentação fora e compras não essenciais;
  • 20% do orçamento deve ir para investimentos, sejam eles de curto, médio ou longo prazo.

Passo 5: Construindo sua reserva financeira

Todos os passos cumpridos, chegou a hora de respirar e começar a pensar na reserva financeira. A reserva serve justamente para evitar que, ao enfrentar acontecimentos fora do comum, dívidas sejam feitas por falta de recursos. Além disso, essa reserva pode ser usada também para aproveitar oportunidades; sabe aquele curso que você sempre teve vontade de fazer mas acaba adiando porque é muito caro? Normalmente as empresas fazem descontos em datas comemorativas, como aniversário da empresa ou semana do consumidor, por exemplo.

A reserva financeira pode ser usada também para aproveitar esses descontos – não precisamos poupar só pensando em emergências ;).

Para nunca mais entrar no vermelho, investir no controle financeiro é fundamental. Esse é o início de tudo e deitar a cabeça no travesseiro sem precisar se preocupar com dívidas e cobradores não tem preço.

Pense nisso e conte comigo nessa jornada. Um beijo e vejo você no próximo conteúdo sobre finanças pessoais.

Até mais!