Não me acuse de estar matando o ano antes da hora, mas basta uma olhadinha mais atenta e você verá que os panetones já estão nas prateleiras. Desconfio, inclusive, de que a iguaria esteja na mira do calendário recorrente anual. Mas divagações à parte, o fato é que já começaram a aparecer por aqui os convites para as confraternizações de fim de ano.

E é então que percebo que chegou a hora de me preparar para aqueles momentos sociais que inevitavelmente virão e que sempre me deixam em situações levemente constrangedoras. “Lá vem a educadora financeira que vai me proibir de gastar!”, “Ah, mas planilha é pra quem não tem tudo de cabeça. Eu sei tudo sobre meu dinheiro” ou ainda, “Conta a verdade: renda fixa é para quem ainda não sabe investir, não é?“.

Pois agora que você já teve um pouco de empatia pelo que me espera, decidi contar mais detalhadamente sobre as desculpas mais esfarrapadas para a falta de planejamento financeiro que ouço nessa minha jornada como educadora e consultora financeira.

Desculpa esfarrapada #1: Sei tudo de cabeça

“Sei todos os meus gastos de cabeça”, “Ganho pouco, não há o que anotar”, “Minha vida é só pagar dívidas, vou anotar o quê?”. Espero verdadeiramente que você não tenha se identificado com nenhuma dessas frases, pois construir um fluxo de caixa para que você conheça suas receitas e despesas ainda é a melhor opção para ter controle das suas finanças.

Eu entendo que todos tenhamos coisas mais interessantes para fazer no lugar de transportar para uma planilha, app ou caderno, nossas transações financeiras, mas todos, veja bem, TODOS se surpreendem com alguns gastos que acreditavam ser menores do que efetivamente são.

Desculpa esfarrapada #2: Planejar o quê se não sobra dinheiro?

Se o dinheiro está sempre contado e quando é preciso (ou desejado) comprar algo, você acaba caindo nos empréstimos, linhas de financiamento ou longos parcelamentos à custa de juros que triplicam o valor da compra, alerta para um possível endividamento crônico por perto!

A matemática aqui é simples (porém nem sempre fácil): se não há onde cortar, é preciso aumentar as receitas. São 3 os caminhos geralmente percorridos para isso:

  • Promoção à vista: difícil, porém não impossível. Um bom curso pode agregar valor imediato para as suas atividades e fazer brilhar os olhos dos seus superiores. Importante focar em cursos que permitam a você apresentar resultados rápidos; cursos técnicos e de curta duração são os ideais nesse caso.
  • Pesquisas salariais e eventual recolocação no mercado: saber quanto vale um profissional com as suas competências e habilidades é essencial. Se sua remuneração estiver abaixo da praticada no mercado, negociações serão bem-vindas e, em caso negativo, uma recolocação pode ser considerada. Lembre que o mercado enxerga um profissional empregado de forma mais atraente do que ao contrário. Use isso a seu favor.
  • Mais dinheiro através de renda extra: um bom projeto de renda extra vai muito além de comprar cosméticos para revenda ou sair para passear com cachorro do vizinho. A prestação de serviços ou a criação e venda de produtos para um público específico sempre serão caminhos interessantes para aumentar a renda. Saiba que quanto mais complexo for, e quanto mais recursos financeiros seu projeto de renda extra exigir, mas próximo ele estará do empreendedorismo. Se for esse seu objetivo, ótimo. Caso contrário, mantenha as coisas simples!

Desculpa #3: A vida é uma só!

Concordo. E logo em seguida, posso entoar “Então é Natal…” Ou seja, mais um ano passou e aqui estamos, mesmo que aos trancos e barrancos, mesmo que com alegrias e tristezas.

Arrisco dizer que a imensa maioria das pessoas sabe que uma vida financeira saudável, na verdade, é resultado de esforço, planejamento e renúncias, mas, se o mês começa, encerra, começa de novo e você mais uma vez foi pego de surpresa pelos chocotones e trilhas sonoras à la Simone, está mais do que na hora de priorizar o seu futuro.

Um beijo e nos vemos no próximo conteúdo sobre Finanças Pessoais. Até mais!