A verdade é que estamos cercados desses ladrões todos os dias. E tal qual criminosos mãos-leves, que levam nossa carteira sem alarde em um momento de distração, esses gastos também causam estragos no nosso orçamento mensal sem que percebamos.

Quais as soluções? Acompanhar seus números com atenção e ainda usar de algumas estratégias que detalho a seguir. Bora proteger seu dinheiro?

  1. Tarifas bancárias

Uma provocação: será que você usa todos os serviços que estão sendo cobrados? DE VERDADE? Saques, TEDs, cheques, programa de milhagem no cartão de crédito, linhas de crédito, consultas e extratos impressos… Uma breve análise na descrição dos serviços inclusos no seu pacote de serviços já sinalizará se esse gasto está sendo útil mesmo, ou não.

Lembre que existe a conta essencial (gratuita e disponível a todo cidadão, desde que a movimentação da conta fique dentro do uso e condições pré-estabelecidos: cartão de débito, quatro saques por mês, duas transferências, dois extratos impressos e acesso à consulta do saldo pela internet) e as contas digitais, que são gratuitas e em sua imensa maioria oferecem cartão de crédito sem anuidade.

  1. Multas e juros por atraso

Mesmo que sejam de poucos reais, pagar multas e juros significa que o dinheiro está escoando pelas mãos e dinheiro é dinheiro, não importa o valor, certo?

Se as contas estão com o pagamento em aberto e se acumulando por causa do vencimento no final do mês, é possível pedir alteração da data de pagamento. Essa solicitação é simples e costuma ser feita rapidamente no site ou app da instituição. Já se elas estão atrasando porque estão “pegando você de surpresa”, um calendário de vencimentos e alertas no celular podem ajudar nesse controle.

Lembre que anotar o que já foi gasto, apesar de importante, só registra o passado. Para planejar o futuro, precisamos incluir as projeções na nossa rotina. Uma boa orientação é que você saiba quanto já “entra devendo” no mês. Organização financeira é a base de todas as decisões que tomamos na nossa vida, e quem sabe nesse mapeamento já não são identificadas algumas despesas desnecessárias e eliminados alguns boletos da sua vida financeira?

  1. Renovações automáticas

Serviços e assinaturas que se renovam automaticamente são verdadeiras ciladas financeiras. Receber o aviso de “pagamento efetuado com sucesso” sem ter sido lembrado da renovação próxima é, na minha opinião, um golpe baixo.

Aqui, planilhas, cadernos e aplicativos de finanças pessoais podem ajudar bastante. Além disso, vale acompanhar as assinaturas recorrentes de aplicativos de jogos e plataformas de streaming (Spotify, Netflix e afins) direto na central de assinaturas e ativar lembretes no celular para ser avisado da renovação automática próximo da data de término do período contratado.

Se você tem crianças que manuseiam os gadgets da casa e da família, lembre de ativar a digitação da senha para toda e qualquer transação financeira. Essa simples medida evitará surpresas na fatura do cartão de crédito, principalmente as relacionadas aos jogos on-line.

  1. Aplicativos de comida e transporte

Esses gastos são rápidos e indolores, porém são muitas vezes necessários. A solução para não perder o controle nesses casos é estipular metas de gastos semanais ou definir dias da semana para uso desses serviços (melhor ainda seria usar essas duas estratégias ao mesmo tempo).

Não pode ser proibido ter mais conforto no dia a dia e usufruir de momentos de lazer, mas o “clique aqui” deve ser feito com cuidado. Se mesmo desejando reduzir esses gastos, as “tentações” acabarem derrubando o planejamento financeiro, vale desabilitar as notificações no celular e cancelar temporariamente o recebimento dos e-mails com ofertas.

  1. Investir estando endividado

É uma conta injusta. No caso das dívidas contraídas no cartão de crédito e no cheque especial (reconhecidamente as linhas de crédito mais caras do Brasil), as taxas de juros cobradas são superiores a 10% ao mês. Entretanto, no caso de investimentos feitos na caderneta de poupança, o rendimento atual é inferior a 2,5%* ao ano. Ou seja, investir tendo dívidas não será assertivo se você busca viver em paz com as suas finanças.

Vamos entender na prática como isso funciona? Simulei a seguir R$1.000,00 investidos na poupança versus R$ 1.000 de dívida no cheque especial com juros mensais de 13% ao mês. Ao final de 12 meses, o cenário seria o seguinte:

Remuneração acumulada da Poupança em 12 mesesDívida acumulada no cheque especial em 12 meses
R$ 1.024,50R$ 4.334,52

* Remuneração atual da Poupança de 2,45% aa considerando taxa Selic de 3,50% aa.

Sim, a diferença é assustadora. É por isso que investir estando endividado não é produtivo. Caso haja sobra de caixa no final do mês, uma boa estratégia é montar uma reserva de quitação de dívida, assim é possível ir acumulando recursos para aproveitar negociações com descontos e abatimentos vantajosos para as dívidas. E é claro, se organizar para nunca mais passar por situação semelhante.

 

Agora que você conhece os cinco grandes ladrões do dinheiro, ficou muito mais fácil se proteger deles, não é? Ao eliminar essas despesas desnecessárias, você fica mais perto de realizar suas conquistas, e no final das contas, é para isso que vale a pena cuidarmos das nossas finanças: para vivermos bem e termos nossos sonhos realizados.

Um beijo e vejo você no próximo conteúdo sobre finanças pessoais. Até mais!