Durante muitos anos a área de administração de pessoal foi tida como uma área mais burocrática e procedimental dentro do RH, com um viés menos estratégico do que outras áreas como recrutamento e seleção, desenvolvimento organizacional, recompensas, entre outras.

No entanto, na era digital e dos dados, esse padrão tem mudado. A área de administração de pessoal é responsável por organizar e processar uma vasta gama de dados dos empregados, que, além de extremamente sigilosos, são muito importantes para a gestão adequada da força de trabalho e para o compliance, seguindo as regras trabalhistas, previdenciárias, fiscais e até mesmo de LGPD.

Em alguns setores, a administração da folha de pagamento está intrinsicamente relacionada com a produtividade, como os setores de serviços e terceirização. Em outros, apesar de não estar ligada ao core business, é fator determinante para garantir o sucesso da organização – visto que a folha de pagamento cuida de um componente, por vezes desvalorizado, mas crucial da gestão: as finanças dos colaboradores.

Garantir uma excelente experiência ao usuário, no caso os colaboradores, é fundamental, para que eles se sintam prestigiados e respaldados. Pagar de forma inadequada um colaborador, além das repercussões legais (reclamações trabalhistas e autuações fiscais) pode impactar negativamente o moral das pessoas.

Além disso, a folha de pagamento possui interface e gera informações valiosas para diversas áreas das organizações, como financeiro, contabilidade, tributário, tesouraria, jurídico, entre outras. Desta forma, uma gestão inadequada desta área pode ter repercussões importantes em outras, gerando um efeito cascata.

Neste artigo, trago quatro pontos que julgo relevantes para a área de administração de pessoal do futuro, considerando o ambiente de transformação digital que estamos atravessando:

1. Olhar abrangente: a folha de pagamento municia de informação uma série de áreas da empresa (financeiro, tributário, contábil, tesouraria, etc.) e o profissional de administração de pessoal deve ter um olhar mais holístico, entendendo quem são seus stakeholders dentro da organização e o impacto que a folha de pagamento pode ter em cada um deles, especialmente sob o ponto de vista de orçamento e resultado.

2. Uso inteligente (e consciente) dos dados: análise de dados do RH pode ser uma ferramenta poderosa para entender diversas tendências, como turnover, diversidade, retenção, remuneração, entre outros. Esses dados, quando organizados e analisados de forma inteligente, podem suportar uma tomada de decisão mais consciente, até para fins de previsões do que pode acontecer no futuro.

3. Parceiro do negócio: ao invés de uma área de backoffice que foca exclusivamente em assuntos de compliance, a folha de pagamento deve passar a ter um protagonismo como instrumento de gestão. Quando bem gerida, pode ser um instrumento importante na redução de custos e na melhoria da produtividade.

4. Foco no employee experience: o colaborador deve estar no centro da estratégia da área. Neste sentido, quanto mais fluída a comunicação e melhor a interface da área com o colaborador, melhor a experiência do usuário, o que permite um ambiente mais propício para a eficiência.

Fique de olho nessa área. Ela passará a ter cada vez mais relevância na administração. Já é possível notar grandes empresas corporações desenhando áreas de People Operations mais estruturadas e robustas, especialmente aquelas que estão em expansão internacional.