À medida que a vacinação avança e os números de ocupação hospitalar em decorrência da pandemia da Covid-19 caem no Brasil, muitas empresas que adotaram o trabalho remoto começam a organizar uma retomada aos escritórios físicos.

Embora não seja consenso, muitas empresas viram no modelo WFH (Work From Home) uma possibilidade de redução de custo, de ganho de produtividade e até mesmo um incentivo que pode fazer parte do pacote de benefícios aos empregados. No entanto, trabalhar de casa realmente é a melhor opção?

A resposta para essa pergunta não pode ser binária e depende de algumas variáveis que levam em conta o setor de atuação da empresa, o perfil de seus colaboradores e o modelo de negócios da organização. Além disso, é necessário que tenhamos comparáveis verdadeiras. Comparar o trabalho remoto durante uma pandemia com o trabalho de casa em circunstâncias normais não seria necessariamente adequado.

O fato é que muitas empresas têm buscado o que tem sido conhecido como modelos híbridos de trabalho, ou seja, situações em que o trabalho se dará parte remotamente e parte presencialmente. O peso que cada parte terá no volume de trabalho total varia e tem sido amplamente discutido, assim como a gestão dos diferentes modelos. Desafios e perguntas comuns que temos visto no mercado são:

– Como definir quem (cargos, níveis, departamentos) trabalhará de casa e quem trabalhará presencialmente? Como medir, de forma adequada, a eficiência e a produtividade em cada um dos modelos?

– Qual o impacto que o retorno presencial terá no moral e na saúde mental dos colaboradores? Para as empresas que permanecerão de forma remota, qual será o impacto de permanência neste modelo de forma prolongada?

– Qual a ajuda de custo adequada para os colaboradores que exercerão suas atividades, ainda que parcialmente, de casa?

– O trabalho do escritório será obrigatório, opcional ou recomendado? Se obrigatório, em qual extensão (quantos dias ou horas por semana)? Como a infraestrutura do escritório acomodará os diferentes modelos?

– Como garantir a perpetuidade e reverberação da cultura da empresa nos diferentes modelos possíveis dentro de uma organização?

– Qual o amparo legal para os diferentes modelos? Como mitigar eventuais riscos?

Enfim, as perguntas são muitas e as respostas, como foi dito anteriormente, não são binárias, visto que essa é uma realidade que tivemos que aceitar de forma relativamente abrupta. No entanto, para responder às perguntas acima e outras que certamente surgirão, há uma premissa superimportante e recomendada: ouça os seus colaboradores.

Ouvir não significa necessariamente seguir o que os colaboradores indicam, já que, por vezes, eles podem não ter a visão do todo que a administração possui, mas levar em conta as suas dores e preferências fará toda a diferença na definição da estratégia, bem como em sua comunicação.

Explicar os motivos que levaram a organização a seguir por uma ou por outra estratégia farão a diferença no processo de transição para um novo modelo de trabalho, trazendo um pouco mais de segurança em um momento de incerteza como este que estamos vivendo.

Qual o modelo mais adequado? Não arrisco dizer. Cada organização deverá encontrar o seu caminho, levando em conta sua estratégia e o seu modelo de negócios. Mas é relevante que os colaboradores façam parte da definição deste caminho, afinal, eles são certamente grandes interessados.

Aos colaboradores, é importante que tenham mente aberta, flexibilidade e receptividade para o novo. As organizações, em regra, também estão navegando em águas turbulentas e buscando aliar os interesses de todas as partes em meio a um cenário de grande ambiguidade. O modelo adequado para você hoje não, necessariamente, é o modelo mais adequado para o negócio, para o seu time e até mesmo para a sua carreira no longo prazo. Portanto, busque enxergar os pontos positivos e negativos da transição, com pensamento mais holístico e de forma agregadora.

Para finalizar, em qualquer cenário de retomada, é necessário diálogo, paciência, planejamento e monitoramento constante. Que este momento de transição seja para melhor, elevando a forma de trabalhar, a produtividade, as oportunidades e a satisfação pessoal dos colaboradores.