É evidente a importância que iniciativas de ESG (environmental, social and governance, na sigla em inglês, ou governança ambiental, social e corporativa, adaptando para a nossa língua) estão ganhando espaço no meio corporativo. Embora essa pauta sempre devesse estar na agenda das organizações, de alguns anos para cá o cuidado com os impactos dos negócios para a comunidade e para o meio-ambiente se tornou não somente um dever, mas um componente estratégico do negócio.

Acionistas, consumidores, reguladores e investidores têm demandado cada vez mais atenção com aspectos de ESG, e a pandemia expôs ainda mais essa necessidade. Até mesmo quando tratamos de employer branding, a capacidade de atrair e reter talentos das organizações, o ESG se destaca, uma vez que talentos têm buscado fazer parte de organizações alinhadas a uma estratégia mais sustentável.

Como componente estratégico do negócio, no mundo todo, os acionistas e os conselhos de administração (representantes dos acionistas) vêm exigindo maior atenção e deferência às regras de ESG por parte dos executivos. Para tanto, uma discussão importante tem sido como incluir métricas de ESG na definição da estratégia de remuneração total dos gestores.

Por natureza, o resultado de medidas e métricas relacionadas a ESG tende a ser auferido no longo prazo e, por isso, as inclusões deste componente na remuneração executiva devem impactar principalmente os long term incentive plans (planos de incentivo de longo prazo, traduzindo para o português), como stock options, restricted stocks e outros dessa natureza.

As métricas e os alvos podem variar dependendo do negócio, mas geralmente incluem aspectos relacionados à saúde e segurança do trabalhador, condições de trabalho, sustentabilidade, impacto ambiental e social. O desafio tem sido identificar indicadores objetivos e adequados para aferição dos resultados, mas em muitas organizações globais esse tipo de métrica já tem um peso relevante na performance dos executivos.

Independentemente do formato, o fato do ESG afetar a remuneração dos executivos tende a acelerar essa agenda nos próximos anos. “Mas o que isso tem a ver comigo?”, você pode estar se perguntando. Podemos separar a resposta em quatro esferas: a de consumidor, a de investidor, a de colaborador e a de empresário.

Como consumidor: procurar saber o que as companhias vêm fazendo para diminuir seu impacto ambiental e levar isso em consideração quando escolher uma marca ou um produto pode impulsionar a agenda ESG nas empresas.

Como investidor: falta de conformidade e de investimento em ESG pode afetar os indicadores financeiros, mas principalmente a reputação das organizações e, consequentemente, o seu valor de mercado. Procurar entender como e qual o peso que a organização tem dado ao ESG, assim como os seus impactos no negócio, pode ajudá-lo a tomar uma decisão melhor de investimento ou desinvestimento para a sua carteira.

Como colaborador: estar antenado ao impacto do ESG no negócio pode torná-lo um profissional ainda mais completo. Tenha em mente que iniciativas de ESG podem e devem estar na agenda dos principais executivos da sua empresa. Portanto, buscar conhecimento e levar em consideração o tema na sua atividade e atuação podem te beneficiar. Como executivo, é possível que métricas de ESG tenham um peso cada vez mais relevante em sua agenda de gestão.

Como empresário: tenha em mente que ESG não se trata mais de um diferencial, uma simples norma a cumprir ou um “algo a mais”, mas sim uma condição para continuidade e perpetuidade dos negócios. A forma como a administração lida com esse tema fortalecerá o negócio em diversos aspectos e pode trazer grande valor para a sua organização. Como pode ser visto ao longo deste texto, vários stakeholders estão de olho no assunto.