O ano foi atípico e trouxe grandes mudanças para o mercado de trabalho e relações interpessoais. Alguns desses novos hábitos vieram pra ficar e, até mesmo, aperfeiçoar antigos costumes.

Esse novo normal afetou as rotinas das empresas. Os processos seletivos passaram a ser online, os novos colaboradores conhecem seus colegas apenas pela tela do computador e alguns comportamentos e práticas passaram a ser mais valorizados.

Veja algumas das principais tendências para o mercado de trabalho nos próximos anos.

Tecnologia nos processos seletivos

Algumas empresas já realizavam entrevistas por vídeo no passado, mas a pandemia levou a criar, pela primeira vez, um processo de recrutamento virtual mais completo. E o novo modelo veio para ficar: 70% dos profissionais de RH afirmam que o recrutamento virtual se tornará o novo padrão, segundo pesquisa do Linkedin.

“O grande desafio deste ano foi a utilização 100% de tecnologia nos processos seletivos”, conta Kerullen Pimenta de Sá, gerente de serviço & qualidade da Adecco. De acordo com ela, muitas seleções ainda ocorrem de forma presencial ou semipresencial.

Passado o choque inicial, as empresas estão vendo na prática a economia de tempo e recursos gerada. A aposta é que sejam processos seletivos híbridos, com etapa virtual e presencial. Mas será necessário um esforço para definir quando utilizar uma abordagem ou outra, entendendo como otimizar a experiência do candidato nas visitas presenciais e aproveitando ao máximo a eficiência do ambiente virtual.

A Inteligência Artificial tem um papel fundamento nesse processo, de forma que os selecionadores passem a ter um olhar mais voltado para as habilidades comportamentais dos candidatos enquanto cabe à tecnologia uma primeira triagem técnica.

A aplicação de teste online, vídeos gravados e entrevistas à distância deve continuar em alta.

Competências do futuro

As competências que vão fazer a diferença para o profissional do futuro já não são as exigidas há alguns anos. Cada vez mais as competências comportamentais são mais importantes do que as técnicas

Antigamente, falava-se muito de hard skills, ou seja, as competências técnicas dos profissionais. Agora a bola da vez são as soft skills, habilidades comportamentais como sociabilidade, pensamento analítico, resolução de conflitos e uma atitude flexível e positiva são muito mais requisitadas e, por outro lado, difíceis de mensurar.

A Adecco, consultoria especializada em recrutamento, destaca algumas das soft skills que serão necessárias para ter uma vantagem no mercado de trabalho no pós-pandemia:

  • Comunicação: foco na comunicação clara e objetiva;
  • Gestão de tempo e de atividades: com a imposição do home office, a gestão de tempo se tornou um desafio para muitas pessoas. A organização para manter as entregas é cada vez mais relevante e exigida;
  • Criatividade: momentos como este pedem posturas criativas que fujam do óbvio. Se reinventar será o ideal para buscar novas oportunidades;
  • Adaptabilidade e resiliência: as habilidades de resiliência e adaptação vem se tornando cada vez mais necessárias, pois o mundo moderno pede dinamismo para lidar com situações adversas.
  • Inteligência emocional: com ela se torna possível equilibrar as mudanças. Essa sempre será uma competência desejada em qualquer área de trabalho.

Como lapidar as habilidades comportamentais? Há muitas possibilidades voltadas para o desenvolvimento pessoal, como mentorias, coach e sessões de terapia. Aperfeiçoar essas habilidades é uma questão de sobrevivência no mundo corporativo, independentemente do cargo ocupado.

O autoconhecimento é fundamental para o aperfeiçoamento das soft skills, segundo Kerullen. “A área de recrutamento passou a buscar profissionais com soft skills bem desenvolvidas. O profissional precisa se autoconhecer e autodesenvolver. Buscar por cursos e informação”, destaca.

Menos contratação e mais mobilidade interna

A mobilidade interna se tornará indispensável, segundo a pesquisa “O futuro do recrutamento”, desenvolvida pelo Linkedin. De acordo com o estudo, houve um aumento de 20% na mobilidade interna desde o inicio da pandemia.

“O futuro da atração de talentos está na requalificação e não na procura por alguém melhor no mercado. Se você precisa contratar hoje, requalifique para ontem”, afirma Rajesh Ahuja, líder global de atração de talentos da Infosys

Ao identificar as competências atuais de seus funcionários, as empresas poderão equiparar oportunidades internas de trabalho, utilizando os colaboradores para preencher possíveis lacunas de qualificação.

Por que essa mobilidade é uma tendência? Devido ao cenário atual de mudanças, as empresas se afastarão de cargos estáticos em departamentos isolados e ampliarão o trabalho multifuncional com base em projetos, onde existe a possibilidade de alocar funcionários de acordo com as necessidades do negócio.

Foco na diversidade

Não basta fazer campanha a favor da diversidade, o discurso precisa refletir no dia a dia da empresa. De acordo com o Linkedin, para reduzir o preconceito, as empresas deverão reestruturar os processos de contratação, começando por garantir a diversidade entre os entrevistadores e apresentação de relatórios baseados em metas de diversidade.

De que diversidade estamos falando? Todas, inclusive geográfica. Com a possibilidade do home office é possível contratar pessoas diferentes não só em relação a orientação sexual, gênero ou raça, como também de cidades, estados ou até países distintos.

 

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