Pela primeira vez, a Starbucks divulgou a diferença salarial entre mulheres e homens que trabalham na maior rede de cafeterias nos Estados Unidos: e o número é zero. É um contraste em relação ao que se verifica no mercado de trabalho como um todo no país, no qual as mulheres ganham, em média, 19% menos do que os homens. A Starbucks também diz que não há desigualdade salarial entre pessoas de diferentes raças.

A Starbucks se uniu ao Citigroup na divulgação de dados sobre a média salarial de seus funcionários, uma raridade entre empresas dos EUA, que não são obrigadas a divulgar publicamente números sobre diversidade. Desde 2018, empresas no Reino Unido são obrigadas a divulgar esses dados. No mercado britânico, as funcionárias da Starbucks ganham 5% menos do que os homens. Globalmente, o salário das funcionárias da rede equivale a 98,3% da remuneração dos homens.

O que dizem os analistas? “A Starbucks está focada na diversidade e na equidade há muito tempo e podemos ver isso nos números”, disse Natasha Lamb, sócia-gerente da Arjuna Capital, que pressiona as empresas a revelarem dados salariais para uma maior igualdade de gênero.

A igualdade salarial da Starbucks mostra não apenas que as mulheres recebem o “mesmo salário pelo mesmo trabalho”, mas também que ocupam o mesmo número de cargos bem-remunerados quanto os homens.

O que diz a rede? “A igualdade salarial tem sido uma prioridade na Starbucks”, disse Bailey Adkins, porta-voz da rede. “Fizemos um trabalho sério para garantir que homens e mulheres sejam remunerados de maneira justa.”

Qual o impacto da pressão da Arjuna sobre as empresas? Alguns dos maiores bancos e empresas de tecnologia divulgaram a desigualdade salarial entre homens e mulheres que fazem o mesmo trabalho. Algumas empresas resistiram em divulgar a média de diferença salarial, já que isso pode ser constrangedor. Depois que o Citigroup divulgou que as mulheres do banco ganham 29% menos do que os homens, seus concorrentes não se animaram a seguir o exemplo. Nos EUA, o banco também paga às pessoas não brancas 7% menos do que aos seus funcionários brancos.

Na quarta-feira (dia 4), acionistas da Microsoft vetaram uma medida que pedia a divulgação da média salarial. Arjuna diz que pretende submeter resoluções para mais de uma dúzia de empresas de tecnologia, financeiras e de varejo para a temporada de procuração de 2020.

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