A pandemia nunca colocou tão em evidência a importância da cultura para o crescimento das empresas. Para 70% dos funcionários, a cultura foi uma vantagem competitiva para companhias que conseguiram se adaptar aos desafios criados pela pandemia.

“A cultura foi um diferencial para as organizações que têm uma cultura forte. Elas também passaram por obstáculos, mas aquelas que têm uma cultura forte conseguiram responder rapidamente às mudanças impostas pela pandemia”, afirma Luciana Medeiros, sócia da PwC.

Para 67% dos entrevistados, a cultura chega a ser mais importante da que a estratégia ou operação da companhia. A pesquisa da PwC ouviu 3.200 pessoas de 50 países.

Mas, afinal, o que é essa cultura? A cultura costuma ser definida como o conjunto de crenças, valores e normas que influenciam o clima de uma empresa. “Uma cultura forte motiva e engaja os profissionais. Quando ela não está forte, a empresa sofre com rotatividade, produtividade, não atrai nem retém talentos”, conta Luciana.

Segundo especialistas, a cultura entrou no topo das conversas da alta liderança das empresas depois da pandemia. “As gerações mais jovens, principalmente, não olham só para o salário. Elas querem saber se têm identificação com os valores e aspirações da empresa. Isso é muito traduzido pela cultura”, afirma Lucas Oggiam, diretor do PageGroup.

As empresas estão conseguindo manter a cultura? Se a cultura foi um diferencial, mantê-la foi um desafio, já que o isolamento do home office dificultou as trocas entre funcionários. Quase metade dos entrevistados da pesquisa da PwC disseram que ficou mais difícil preservar um senso de comunidade trabalhando de casa. Para 41%, ficou mais complicado o processo de mentoria e desenvolvimento.

“Muito da cultura é traduzida pelas pessoas que estão lá dentro da empresa. Não é o que se fala da porta para fora, mas como se age da porta para dentro. É assim que as pessoas percebem a cultura, principalmente as que estão entrando na companhia. A falta de contato teve impacto nos novos profissionais e na cultura das organizações”, diz Oggiam, do PageGroup.

O que as empresas têm feito para garantir que a cultura não se perca? O desafio foi ainda maior para empresas que contrataram muito nesse período. Esse é o caso do C6 Bank e do iFood. O C6 Bank 1.448 funcionários – desse total, 1.070 foram admitidos a partir de março de 2020. No iFood, 2.500 dos 4.500 colaboradores foram selecionados após a pandemia.

Para Rafael Brazão, head de Gente e Gestão do C6 Bank, a cultura forte não vai ser prejudicada porque os funcionários estão trabalhando de casa. “Quando a cultura é forte, ela vai viver independentemente do meio, seja presencial ou online. A cultura tem força para permear em qualquer modelo de trabalho”, afirma o executivo.

Segundo ele, a preocupação com a cultura está presente desde o início do C6 Bank. “Assim como começamos um banco do zero, tivemos a oportunidade de construir uma cultura do zero. E a cultura é um organismo vivo, tem que ser bem tratado para que esteja sempre florido. É preciso fazer a manutenção da cultura e é isso que estamos fazendo desde o início.”

No caso do C6, a cultura da empresa está presente na jornada do funcionário mesmo antes da sua contratação. “Na seleção, temos a preocupação de buscar pessoas alinhadas com nossa cultura. No onboarding, ela conhece os pilares da cultura. Fizemos uma coisa importante que é desenhar os comportamentos da nossa cultura. O bom-humor, por exemplo, é só uma palavra. Mas o que é bom humor? Pode ser diferente para você ou para mim. É importante entender o que esperar ou não da organização. Ajuda a balizar o entendimento”, diz Brazão.

O iFood desenhou um novo sistema de trabalho para integrar as características do home office à cultura da empresa. “Esse sistema é nada mais nada menos do que grandes combinados de como seguimos conectados remotamente, nos desenvolvendo e cuidando de nossa saúde”, conta Gustavo Vitti, vice-presidente de Pessoas e Soluções Sustentáveis do iFood.

A preocupação com a comunicação foi uma das estratégias do iFood para reforçar a cultura. “Como estamos todos trabalhando remotamente, é importante mantermos uma comunicação clara e, principalmente, não-intrusiva. Incentivamos a comunicação assíncrona, para respeitar o timing e ter empatia com a realidade de todos os colaboradores”, afirma Vitti.

Para Vitti, o distanciamento do trabalho remoto é só um dos lados da moeda. “O copo meio cheio, por sua vez, fez com que conseguíssemos contratar muito mais gente que não estava no eixo Rio-SP e hoje temos pessoas trabalhando para o iFood de todos os lugares do nosso país, inclusive no exterior e até as que optaram por ter uma vida como nômades.”

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