A pandemia acelerou inovações nas políticas de trabalho das empresas. Muitas testaram pela primeira vez o trabalho em home office em grande escala. Com o avanço da vacinação, a dúvida que surge é como será a jornada de trabalho depois que a pandemia passar.

A maioria dos especialistas em Recursos Humanos aposta que o trabalho híbrido (parte presencial e parte online) é o modelo que deve pegar com mais força no novo normal. Mas há empresas testando outros formatos, como a semana de quatro dias de trabalho. No Brasil, funcionários da Zee.dog e da Crawly já experimentam essa semana mais curta.

“Não acho que seja uma tendência aqui no Brasil, mas é mais uma ideia que vem sendo discutida. A pandemia intensificou a adoção de novos modelos de trabalho e a semana de quatro dias é mais uma possibilidade dentro da necessidade de flexibilidade que as empresas precisarão oferecer”, afirma Jacqueline Resch, consultora de RH.

A tendência, segundo ela, é da busca por modelos alternativos de trabalho. “Cada empresa vai ter que descobrir a melhor forma de atender seu público interno. Pesquisas mostram que aquele modelo rígido, em que a pessoa tem que ir todo dia ao escritório, está caindo.”

O que está por trás da semana de quatro dias? Pesquisas realizadas com trabalhadores que passaram pela semana de quatro dias mostraram que a redução de jornada ajudou a melhorar a produtividade e a satisfação dos colaboradores.

Entre os locais que testaram a semana de quatro dias estão a Islândia, a Microsoft do Japão e a Unilever da Nova Zelândia.

Por que as empresas testam esse modelo? No caso da Crawly, a semana de quatro dias faz parte da estratégia da empresa para atrair e reter funcionários na disputada área de tecnologia.

“Nunca encaramos como redução de jornada, mas em uma forma de oferecer um benefício diferente das outras empresas. Como somos uma startup, não temos condições de oferecer benefícios que as grandes dão, mas podemos conquistar com a semana de quatro dias”, afirma Thiago Veloso, head de marketing da Crawly.

Segundo ele, a semana de quatro dias – implantada no começo apenas para o time de desenvolvedores e agora ampliada para todos os colaboradores – tem sido um sucesso. “Hoje em dia, as pessoas estão buscando qualidade de vida. Isso se tornou determinante na hora de escolher a empresa em que ela vai trabalhar.”

Entre os ganhos que a semana de quatro dias trouxe, segundo ele, está a qualidade do trabalho. “A pessoa trabalha mais tranquila quando sabe que tem um dia da semana para resolver pendências, ir ao médico ou passear. Essa previsibilidade de ter um dia para cuidar da visa reduz a ansiedade e melhora o trabalho.”

Na Zee.Dog, a semana de quatro dias é intercalada com uma semana normal de trabalho. Dessa forma, diz a empresa, é possível comparar os resultados de cada semana. “O modelo foi inspirado em empresas que adotaram a jornada de quatro dias semanais na Nova Zelândia.”

Que cuidados que a semana de 4 dias inspiram? Para Jacqueline Resch, a semana de quatro dias pode funcionar como política de flexibilidade de jornada desde que não sobrecarregue o colaborador. “A ideia é boa desde que os funcionários não se matem de trabalhar nos quatro dias restantes. Não adianta dar um dia de folga se depois a pessoa vai ter que trabalhar mais depois”, afirma Resch.

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