Não basta ter uma formação técnica de excelência para se dar bem na carreira. Cada vez mais as habilidades comportamentais passaram a fazer diferença na hora das empresas avaliarem seus funcionários. Entre as soft skills em alta estão empatia, comunicação, resiliência e criatividade. Por isso, dominar a CNV (comunicação não violenta) pode contar pontos a seu favor dentro das organizações.

O que é comunicação não violenta? A CNV é uma metodologia desenvolvida pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg que tem o objetivo de reduzir conflitos e situações de violência por meio da comunicação autêntica. Não é falando mais alto que você vai ser compreendido.

“A CNV é muito mais do que é técnica, é um jeito de ser e de enxergar o mundo de uma forma diferente. A maioria enxerga o mundo como se fosse uma novela, em que as pessoas brigam para que os outros engulam goela abaixo suas opiniões. A pessoa que grita para se expressar não acredita que será ouvida se falar baixo”, diz Maria de Lurdes Zamora Damião, professora do curso de CNV da Fecap. “É uma mudança de percepção de si mesmo e do outro.”

Segundo ela, a CNV se apoia em quatro pilares:

  • Observação do julgamento – “Somos julgadores o tempo inteiro. Olhamos para as pessoas e as rotulamos de folgadas, incompetentes. Se consigo observar esse julgamento, já dei um passo para diferenciar o que é julgamento do sentimento que a pessoa gerou para achar isso dela.”
  • Sentimento que a situação me causa – “É preciso diferenciar o que é sentimento do que é uma ação provocada por um sentimento. Se você tem vontade de dar um murro em alguém é porque está com raiva, furioso”, afirma a professora.
  • Necessidade – “Todo fato que gera sentimento também gera uma necessidade. Se tenho compaixão de alguém quero abraçar, ajudar essa pessoa. Se alguém foi violento, fico triste, frustrado e tenho necessidade de conversar sobre isso.”
  • Pedido – “A partir da necessidade que senti, faço um pedido para as pessoas envolvidas. Se alguém me maltratou, falo do meu incômodo e da necessidade de ter bons relacionamentos. Peço para a pessoa me tratar com respeito e empatia, da mesma forma que a trato.”

E o que tudo isso tem a ver com a minha carreira? Para começar, porque a CNV acaba proporcionando que as pessoas tenham mais autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.

“Com a CNV, as relações ficam mais saudáveis e a comunicação fica mais clara. As pessoas ficam mais assertivas e autênticas na hora de expressar seus sentimentos, vão direto ao ponto, sem rodeios”, afirma a professora da Fecap.

Segundo ela, como o clima fica mais saudável, a produtividade e engajamento também aumentam. “As pessoas têm prazer e ir trabalhar em um lugar em que podem ser autênticas, em que o clima é legal e sem fofoquinhas.”

Isso acontece porque como a pessoa que sabe diferenciar o que que é julgamento do que é sentimento, ela se relaciona melhor com os colegas de trabalho. Ela sabe se expressar melhor e respeitar seus sentimentos. E ninguém mais atura trabalhar com pessoas que não respeitam as outras.

Outro efeito colateral da CNV almejado pelo mundo corporativo é reduzir o assédio moral. “Casos de assédio moral podem queimar o filme de uma empresa. Se ela tem dois ou três casos, pode indicar que algo vai mal na adesão à cultura.”

Por que é preciso aprender isso? Zamora Damião diz que a CNV muda a forma de perceber a si mesmo e aos outros. “Ela passa a perceber os momentos em que é violenta. Porque às vezes, a pessoa nem se enxerga como violenta, pois acha que violência é bater, agredir fisicamente. Mas existe a violência emocional, psicológica, verbal.”

Mas as pessoas não são mais autênticas? A professora da Fecap diz que as pessoas deixam de ser autênticas quando julgam o outro. “Imagina que o seu chefe te chamou para trabalhar no sábado, mas você já tinha uma viagem marcada. Mas julga que se falar que não pode, irá  irritá-lo e será demitida. Por isso, não fala que não pode trabalhar por medo, mas fica remoendo esse sentimento e falando mal gestor.”

Segundo ela, a comunicação começa a perder a autenticidade na infância. “A mãe pede para a criança dar um beijo na tia, mas ela não quer. Então a mãe a ameaça e diz que se for, vai ganhar um doce. A criança aprende a contrariar seu sentimento para agradar o outro.”

E esse tipo de assunto ganhou o mundo corporativo? Sim. Na Fecap, foram abertas três turmas de pós-graduação no ano passado para estudar a CNV. Se interessou? A Fecap está oferecendo gratuitamente o curso online de Comunicação Não Violenta. O curso tem duração de 4 horas/aula e as inscrições podem ser feitas pelo site: http://www.fecap.br/curta-duracao/comunicacao-nao-violenta-1/

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