A vida em home office mostrou que é possível participar de milhares de reuniões em único dia. Isso seria maravilhoso se não fosse o fato de que algumas invadem o horário do almoço ou alongam a jornada de trabalho. Para mulheres que passaram a acumular as tarefas domésticas e cuidados com os filhos com a vida profissional, reuniões em horários críticos atrapalham ainda mais.

Com três filhos, Lúcia Rizzo, gerente de produtos da Medtronic, fez um acordo com a empresa para não participar mais de conferências próximas do horário do almoço. “Pode parecer bobo, mas é importante conseguir administrar uma rotina com três crianças de idades diferentes dentro de casa. Antes, elas iam para a escola em período integral e eu não me preocupava com o almoço. Agora, virou minha tarefa”, afirma Lúcia.

Questionadas sobre os benefícios que as empresas poderiam oferecer para apoiar suas carreiras, 48% das mulheres disseram que era dar opções de trabalho mais flexíveis, segundo pesquisa da Deloitte.

Para Lúcia, a possibilidade de fazer uma jornada flexível está sendo fundamental durante a pandemia. “Consigo ficar mais livre de manhã para dar apoio para as crianças. O mais velho se vira sozinho nas aulas online, mas os outros precisam de supervisão. A gente precisa olhar para ver se abriram o livro na página que a professor mandou.”

A gerente conta que não está sozinha nos cuidados com os filhos. Ela e o marido se revezam no apoio escolar de acordo com a agenda de trabalho de cada um. “Não tem uma divisão formal. A gente bate essa agenda todo dia para ver quem fica com o quê.”

Por conta da flexibilidade, Lucia diz que é normal que acabe compensando algumas horas da manhã com trabalho à noite.

E se ela perder alguma reunião? Não tem problema. Lúcia diz que as teleconferências passaram a ser guardadas, o que permite que as pessoas que não puderam participar também se informem do que foi falado.

Para a gerente, a sensação de que a empresa entendia a nova necessidade dos funcionários começou lá no início da pandemia. “A escola antecipou as férias e a comunicação foi muito em cima da hora. A companhia tem prazos, é preciso solicitar férias com antecedência. Mas por conta da pandemia, ela permitiu que a antecipação fosse feita em cima da hora. Isso me ajudou muito e mostrou a disposição de acolher os funcionários.”

Lia Rizzo e o marido se revezam nos cuidados com os 3 filhos e a rotina profissional
Crédito: Divulgação

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